segunda-feira, 23 de maio de 2016

O surdo como diferente e não como deficiente




“Contrário ao modo como muitos definem a surdez - isto é, como impedimento auditivo – pessoas surdas definem-se em termos culturais e linguísticos.” (WRIGLEY, 1996, p.13)
Depois de cursar a interdisciplinar de Libras, mudei meu olhar  e meus conceitos sobre os surdos. Eles se definem como diferentes e não como deficientes. Dei-me conta do quanto eu também os definia como deficientes. Mas, ao contrário, eles apenas se comunicam de forma diferente. “Pela ausência da audição, possuem uma  experiência visual e é usuário da língua de sinais. A língua de sinais é um dos fatores que leva a construção da identidade, comunidade e cultura surda.[...] Assim, a audição não é considerada como falta para os surdos.
                Ao assistir o vídeo “O perigo de uma história única” com Chimamanda Adichie, (https://youtu.be/wQk17RPuhW8 ) passei a refletir do quanto criamos conceitos incompletos a respeito de vários assuntos, lugares, pessoas, etc. a partir de uma única história. É importante pensar o quanto os meios midiáticos entre outras fontes de informação, limitam nosso olhar e, a partir do que eles mostram, criamos uma ideia que consideramos correta,  completa e  única sem nos darmos conta de que as histórias podem ir muito além daquilo que conhecemos.
Foi bem significativo e esclarecedor o estudo que fizemos nesse semestre na interdisciplinar de Libras.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

A ESCOLA ABANDONOU AS PERGUNTAS


A ESCOLA ABANDONOU AS PERGUNTAS

            Na aula presencial do Seminário Integrador III, no curso de Pedagogia à Distância da UFRGS, refletíamos sobre a ausência de perguntas na escola. Segundo Freire (1985), o conhecimento começa pela pergunta, começa pela curiosidade. O professor dá as respostas sem ao menos terem perguntado nada.
Os professores não se interessam pelas perguntas que os alunos têm a fazer, pela sua curiosidade. Com seu poder e autoridade, elenca o que é importante de acordo com o currículo pré-estabelecido e “joga” sobre o aluno, num movimento unilateral que só vai. O professor é que fala, é que dá a aula, que dá a prova, que dá as perguntas e que finalmente dá a nota.
Uma de nossas colegas, humildemente e admitindo certa vergonha, compartilhou conosco uma experiência rara de sala de aula: Por motivos de saúde, ela teve que substituir uma colega que trabalhava com um conteúdo que ela desconhecia. A princípio, ficou aflita, perdeu sono, tentou pesquisar, mas finalmente e com muito receio do que poderia acontecer, admitiu aos alunos que não dominava o conteúdo e propôs a eles que aprendessem juntos. Revelou que foi uma experiência fantástica, pois os alunos se sentiram desafiados, pesquisaram e aprenderam todos juntos: professora e alunos.  Quando a professora titular, retornou e fez uma avaliação do conteúdo, ficou surpresa com os ótimos resultados apresentados por aquela turma e foi perguntar para ela o que tinha feito para que os alunos se saíssem tão bem. A colega revelou que não tinha feito nada, eles é que tinham feito tudo.
Quando o professor  desce do trono de poderoso e detentor do saber ele oferece aos alunos a possibilidade de descobrirem as respostas para as suas perguntas, ele possibilita a emancipação intelectual, assim como mostra o livro O mestre Ignorante de Jacques Rancière, que conta a trajetória de um “professor que ensinou francês a estudantes flamengos sem lhes dar uma só lição, ele ainda se pôs a ensinar o que ignorava e a proclamar a palavra de ordem da emancipação intelectual: todos os homens têm igual inteligência.”
Miguel Massolo, psicanalista argentino, disse que “ser professor é conviver com a angústia de não dar as respostas.”
Quais as perguntas nossos alunos têm? Será que damos a chance de procurarem pelas respostas?  Precisamos experimentar ouvi-los. Dentro de uma perspectiva construtivista é a partir das perguntas deles que devemos estruturar  nossos projetos de aprendizagem.
            Na aula, conversávamos também que a medida que vamos crescendo, vamos abandonando nossas perguntas, e que quanto maior a graduação do profissional, menos perguntas ele faz, pois acredita conhecer tudo. Fomos desafiadas a refletir e pensar quais são as nossas mais simples perguntas referentes a nossa vida cotidiana e que deixamos de fazê-las. Para juntos pesquisarmos e descobrirmos as respostas para sanar nossa curiosidade.
Referências:
Rancière, Jacques. O mestre Ignorante – cinco lições sobre a emancipação intelectual. 2ª ed. – Belo Horizonte: Autêntica, 2004. 192p. (Educação: Experiência e Sentido, 1)

segunda-feira, 2 de maio de 2016

A AVALIAÇÃO INDIVIDUAL NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO

            Durante essa semana participei do Conselho de Classe da minha turma que, nos Anos Iniciais, consiste numa reunião onde o Professor titular, juntamente com a Supervisora , a Orientadora e a Professora do Laboratório de Aprendizagem, sentam para discutir e analisar o processo de aprendizagem dos alunos.
            Ao relatar o que cada aluno tinha aprendido e as respectivas dificuldades, percebi que eu não conhecia o processo de aprendizagem com propriedade de alguns alunos. Com isso, comecei a fazer uma avaliação individualizada, que apesar de exigir uma organização diferenciada, é extremamente necessária, pois só assim conseguimos perceber o que de fato o aluno aprendeu e a quantas anda seu processo de aprendizagem. Sempre fiz avaliação individualizada, mas devido às dificuldades (alguém para me substituir na turma, grande número de alunos), às vezes, não consigo realizá-la.
            Com a avaliação individual, consegui entender o processo de aprendizagem de cada um acerca da leitura e escrita, reforçando a minha ideia de que essa atividade é fundamental. Com isso, poderei  planejar estratégias mais eficientes para o avanço de toda a turma. Saber quantas e quais letras os alunos ainda não conhecem, qual nível de escrita e leitura que ele se encontra, quais as letras ele faz a associação com o som ou não, facilita o planejamento adequado do trabalho.
            Essa avaliação individual serviu para que eu percebesse que a turma aprendeu muito mais do que pensava e do quanto a avaliação individual é importante para nos apropriarmos de fato do processo de construção que o aluno se encontra.
"Para que sejamos capazes de analisar os avanços das crianças, precisamos criar boas situações de avaliação e boas estratégias de registro." (Organização do trabalho docente para promoção da aprendizagem. Pacto nacional Pela Alfabetização na Idade Certa. Ano 1 - Unidade 8. p.17

segunda-feira, 25 de abril de 2016

PROJETO DE APRENDIZAGEM E PROJETOS DE ENSINO





PROJETO DE APRENDIZAGEM ≠ PROJETO DE ENSINO
Em várias escolas nas quais tive a oportunidade de trabalhar, constava no PPP (Projeto Político Pedagógico) como metodologia o trabalho através de Projetos. Planejávamos coletivamente, de forma comprometida e com ótimas intenções. Mas, com o estudo sobre Projetos de Aprendizagem, percebi que na verdade, elaborávamos Projetos de Ensino e muitas vezes, sequencias didáticas, ao invés de Projetos de Aprendizagem.
 Sempre partindo do que o professor  elenca como importante e não de uma pergunta de um ou mais alunos. O professor, na verdade, cria projetos para dar conta do seu conteúdo e trabalhar de forma contextualizada. Mas, na verdade projetos de aprendizagem surgem da curiosidade do aluno e sua posterior pesquisa e, partindo disso, trabalhar os conteúdos pertinentes ao ano. O quadro a seguir foi trabalhado na aula do Seminário Integrador III do curso de Pedagogia da UFRGS e mostra de forma muito clara e objetiva a diferença entre os dois e as bases teóricas que os sustentam. 
Como o empirismo prevalece na grande maiorias das salas de aula, a tendência dos professores é sempre dar a explicação, a matéria, a prova e a nota, escolhe o projeto, responde as perguntas sem ninguém ter lhe perguntado nada, desperdiçando oportunidades de explorar a curiosidade dos alunos e tornar isso campo fértil para a construção de conhecimento de forma significativa. Pedro Demo, no vídeo publicado pela Nova Escola (https://www.youtube.com/watch?v=Vra4hclt7kw#action=share)  fala da importância da pesquisa e do quanto ela possibilita a construção do conhecimento.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Música na escola


Na interdisciplina  Música na Escola, conversávamos do quanto é precária a formação docente no que diz respeito à Música e ao uso da voz. Com a obrigatoriedade de trabalharmos a música na escola, os professores certamente se encontrarão em um impasse: Como trabalhar música com os alunos?
Muitos são as aprendizagens à cerca da música que podemos proporcionar aos nosso alunos: Diferentes ritmos, compasso, melodia,  grave/agudo, notas musicais, pautas, instrumentos, respiração adequada, uso da voz etc.
A música, assim como todas as Artes, desperta os mais diversos sentimentos nas pessoas.
A Educação precisa atender às necessidades das crianças, bem como despertar outras. é preciso trabalhar com a realidade dos alunos, mas também, apresentar novas realidades para eles.
Assim, poderemos revelar grandes talentos em nossas turmas.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

A LITERATURA E O DESPERTAR DOS SENTIMENTOS




A literatura é patrimônio cultural da humanidade e direito de todos.
Conforme Foucambert, através da literatura podemos "pensar o pensamento", " Os professores precisam trabalhar para que cada vez mais pessoas tenham - nesta sociedade cada vez mais complexa e injusta - acesso à informação qualificada, condições de análise crítica e tomada de decisões".
"A leitura precisa 'faltar' ao sujeito para que ele a deseje. Como pode a leitura ser um falta? Poder ser 1 por necessidade de uma informação ou várias sobre um assunto em particular; 2 pelo prazer que se quer ter repetido; 3 por indicar os procedimentos e os elementos necessários para se produzir ou conseguir algo; 4 pelo tanto que se quer compreender determinada coisa; 5 por nos sentirmos muito identificados por algo ou algum personagem; 6 por termos sido 'encantados' pelo tema ou outra coisa por um outro que nos sabe levar a isso; 7 para tirar uma dúvida ou conformar algo; 8 para encontrar respostas; 9 porque, de alguma forma, aquela leitura é importante para alguém ou alguns com os quais queremos ter isso em comum; por causa do autor; 11 por possibilitar que sintamos que outros compartilham ou já compartilharam de dada experiência por que passamos; 12 para encontrar em palavras o que não soubemos traduzir do nosso pensamento; 13 por diversão; 14 para aprender algo que 'precisamos' saber;15 por ser muito importante para nós estarmos atualizados com respeito a algo; 16 por nos fazer viajar; 17 por amarmos animais ou flores ou algo assim; 18 por supormos que nos ensinará algo que nos fará mais felizes, 19 por dizer respeito a algo que vivemos; 20 por um certo fascínio por alguma personalidade biografada; 21 pela carga erótica da trama ; por crermos que nos ajudará a enterdernos melhor ; 23 para agradar a Deus; etc. etc." (COELHO, Maria Luiza Moreira. O labor subterrâneo das paixões e a Leitura.Porto Alegre. GEEMPA. 2ª EDIÇÃO.JULHO/2001.p.22 a 23.)
Como podemos observar, são inúmeras as formas que podemos despertar a falta da leitura em nossos alunos. Conforme Sara Pain, o professor precisa cavar as faltas para despertar o desejo no aluno.
Na aula presencial de Literatura , a professora disse que tinha como objetivo nos "tocar"ou seja, fazer-nos sentir algo com o material literário que levou para a aula. E, realmente, senti-me "tocada" pelos mais diversos sentimentos: Tristeza, alegria, estranhamento, identificação, melancolia, entre outros.
A literatura, assim como toda a Arte, tem a capacidade de fazer com que sintamos algo ao entrar em contato com ela.
"Literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta." In "Heróstrato e a Busca da Imortalidade"- Fernando Pessoa.
Conforme o que conversamos na aula, os professores precisam demonstrar sua paixão pela Literatura para despertar esse mesmo sentimento nos seus alunos.
Certa vez, a supervisora da escola perguntou para uma de minhas alunas, como tinha aprendido a ler e a aluna respondeu que aprendeu a ler através das leituras das histórias que a professora (nesse caso, eu) lia na aula despertando nela a vontade de ler também. Fiquei emocionada, pois essa situação confirma que contagiamos os alunos com nossa paixão pela Literatura. Por isso, os professores precisam ter consciência que não basta ler para os alunos, mas ler com paixão, com alegria, com entonação diferenciada, dando vida aos personagens e despertando os mais diversos sentimentos.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

BRINCAR É CONTEÚDO









Tenho observado, nesses meus 22 anos de magistério, que os professores, cada vez mais, tem  deixado  de fora de seu planejamento o ato de brincar. Apresentam um discurso que para dar conta do conteúdo não é possível abrir espaço para atividades lúdicas. Essa concepção é preocupante, pois desconhecem que brincar também é conteúdo. Acredito que carreguem consigo as heranças das escolas que frequentaram, onde o brincar não fazia parte do currículo.
“ As brincadeiras possibilitam aproximar-se do mundo de forma leve e explorá-lo sem medo, desempenhando vários papéis a criança socializa e aprende.Cada tipo de brincadeira corresponde a uma gama de atitudes e habilidades. A manipulação de objetos favorece a exploração espacial e o desenvolvimento cognitivo.”
FERRARIS, Ana Oliveiro. Agitação que faz bem. Mente Cérebro. São Paulo: EDIOURO DUETTO EDITORIAL Ltda. Ano XVIII n° 216 jan/2011 (pp: 36-41)
              As atividades lúdicas além de tornar as aulas mais leves e divertidas, possibilitam aprendizagens importantes.
              Devido à insegurança instauradas nas grandes cidades, as crianças de hoje brincam sozinhas em suas casas, portanto, a escola assume um importante papel de propiciar aos alunos a brincadeira em grupo, só assim a brincadeira terá um efeito simbólico. “ O que mais conta é a dinâmica das relações durante as atividades lúdicas, o vínculo entre o conhecimento de si e do outro.”(CARNEIRO.Maria Angela Barbato).
              Na minha sala de aula, o brincar tem lugar garantido. Pois sempre soube da sua importância,  e com o material disponibilizado pela interdisciplina Ludicidade e Educação, ele assumirá um lugar de maior importância.
              Fico pensando e me angustia o fato e saber que minhas colegas, não dão a devida importância às atividades lúdicas e me questiono como fazer para sensibilizá-las. Nas reuniões pedagógicas semanais, sempre que é pertinente, compartilho o que tenho aprendido a respeito do assunto e proponho reflexões, mas percebo que não surte efeito significativo. Mas, seguirei fazendo a minha parte, para que mais crianças possam ter garantido o seu direito de brincar e que minhas colegas percebam que brincar é conteúdo importante do currículo.