Conforme Snyders
(1988, apud Carvalho,1999), para que o aluno tenha alegria na escola, para que esta seja
significativa, tenha significado, lhe dê respostas às suas indagações, a escola deve
partir da
cultura
dos alunos, de sua experiência imediata, pois ela já contem elementos válidos
(relacionado com os conceitos de Snyders de progresso e presente) e, a partir daí, realizar a
ruptura, apresentando-lhe a cultura elaborada, o conhecimento escolar, que o
auxiliará a ver de forma diferente, ampliada, crítica, o que já se pressentia em
sua experiência de forma assistemática, não acabada, plena. Ao realizar este
movimento o aluno tem alegria presente, alegria que o forma e transforma, pois
possibilita a compreensão da realidade e lhe dá impulso para agir.
Acredito que a felicidade na
escola só é possível quando os alunos sentem-se respeitados em muitos aspectos:
no seu saber, na sua cultura, na sua diferença. O professor tem que estar
ciente da importância do papel que exerce para que a escola seja um lugar onde
a alegria esteja presente e os alunos possam se sentir felizes.
A construção do conhecimento é
algo que dá muito prazer. Descobrir a lógica das coisas, como funcionam, aprender sobre algo, atingir o objetivo de um desafio é algo que dá
muito prazer e por isso, nós educadores, não podemos desconsiderar isso no
nosso fazer pedagógico.
O meu relato é de uma experiência
que repetidas vezes acontece em minhas turmas. O jogo de Veritek, um jogo de
relações muito interessante que pode ser trabalhado com qualquer conteúdo. Pode
ser individual, em duplas, ou em grupo. As peças do jogo devem ser colocadas em
um lugar partindo de uma relação. Se todas as relações do jogo estabelecidas pelo aluno estiverem corretas,
as peças formam um mosaico que só é visto quando viram e abrem a caixa. A alegria dos alunos ao constatarem que
conseguiram concluir o jogo com sucesso é visível em suas reações. Eles vibram,
comemoram, gritam, pulam. Na hora do brinquedo, muitos alunos escolhem esse
jogo para jogar. Às vezes, precisam reposicionar as peças, repensar nas suas
respostas, mas persistem e conseguem.
O lúdico sempre foi um meio de
trazer alegria para a escola. Aprender brincando, além de ser divertido, torna
o aprendizado significativo e prazeroso.
Dar espaço para a criação, à
descoberta proporciona aos alunos momentos de muita felicidade. mas exige do professor
uma boa dose de humildade, pois ele precisa sair de cena, parar de explicar e
dar oportunidade para a descoberta, muito mais significativa que a reprodução.
Meus alunos criam histórias
incríveis, muito antes de dominarem o código de escrita, pois valorizo as
ideias muito mais do que a qualidade de escrita, e isso, faz com que se
autorizem a escrever histórias fantásticas baseadas em seus desenhos, para
compartilhar com seus colegas Muitos professores, só propõem escrita de texto
após estarem alfabetizados e perdem grandes oportunidades de ensinar aos alunos
como criar histórias e desenvolverem suas escritas através de seus textos.
Acredito que a felicidade na
escola está na autoria, no protagonismo, no coletivo e na individualidade, no
lúdico, no trabalho em grupo, no movimento, no sentimento de se sentir respeitado
em todos os sentidos e se sentir
pertencente a esse espaço chamado escola.
Referência:
CARVALHO, Roberto Muniz Barretto de. Georges Snyders: em
busca da alegria na escola. Perspectiva, Florianópolis, v. 17, n. 32, p.
151-170, jul./dez. 1999.