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quarta-feira, 6 de junho de 2018

SANDUÍCHE DA MARICOTA

Na interdisciplina de Didática e Planejamento do PEAD da UFRGS, solicitou que fizéssemos um vídeo mostrando a aplicação de uma atividade baseada em alguma história. Eu e minha colega Iasmim resolvemos aplicar uma atividade na minha turma de 1º ano. Planejamos, eu apliquei e filmei a atividade e ela editou o vídeo, foi um trabalho coletivo e colaborativo. Aprendemos muito com os trabalhos em grupo, pois cada indivíduo possui habilidades e competências em distintas áreas e a contribuição de um complementa a do outro num processo de mútua aprendizagem.
A história foi recontada com a participação dos alunos e o uso de bonecos de feltro. Os alunos adoraram participar da história e brincar com os bonequinhos que representava os personagens da história. A história fala da importância da autoria e eu aproveitei para falar das hipóteses de escrita que são legítimas e muito importantes, pois revela a forma como pensam a escrita.
O trabalho em grupo favorece na interação
Muitas atividades foram propostas depois da história. O vídeo mostra uma parte delas.


As atividades se tornam muito mais significativas a partir de um contexto. Diferente de trabalhar palavras soltas, sílabas sem sentido desconexas de qualquer significado para a criança.

terça-feira, 27 de março de 2018

"O menininho"


                                                 “O menininho”
Helen Buckley

Era uma vez um menininho bastante pequeno que contrastava com a escola bastante grande.
Quando o menininho descobriu que podia ir à sala caminhando pela porta da rua, ficou feliz. A escola não parecia tão grande quanto antes.
Uma manhã a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer um desenho.
“Que bom!”, pensou o menininho. Ele gostava de desenhar. Leões, tigres, galinhas, vacas, trens e barcos... pegou sua caixa de lápis de cor e começou a desenhar.
- Esperem, ainda não é hora de começar!
Ela esperou até que todos estivessem prontos.
- Agora, nós iremos desenhar flores.
E o menininho começou a desenhar bonitas flores com seus lápis rosa, laranja e azul.
- Esperem, vou mostrar como fazer.
E a flor era vermelha com o caule verde.
- Assim, disse a professora, agora vocês podem começar.
O menininho olhou para a flor da professora, então olhou para a sua flor. Gostou mais da sua flor, mas não podia dizer isto... virou o papel e desenhou uma flor igual a da professora. Era vermelha com o caule verde.
No outro dia, quando o menininho estava ao ar livre, a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer alguma coisa com o barro.
“Que bom!” pensou o menininho. Ele gostava de trabalhar com o barro. Podia fazer com ele todos os tipos de coisas: elefantes, camundongos, carros e caminhões. Começou a juntar e amassar sua bola de barro.
- Esperem, não é hora de começar!
Ela esperou até que todos estivessem prontos.
- Agora nós iremos fazer um prato.
“Que bom!”, pensou o menininho. Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos.
- Esperem, vou mostrar como se faz. Assim... Agora vocês podem começar.
E o prato era fundo. Um lindo e perfeito prato fundo.
O menininho olhou para o prato da professora, olhou para o próprio prato e gostava mais do seu, mas ele não podia dizer isso... amassou seu barro numa grande bola novamente e fez um prato fundo, igual ao da professora.
E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e a fazer as coisas exatamente como a professora. E muito cedo ele não fazia mais as coisas por si próprio.
Então, aconteceu que o menininho teve que mudar de escola... 


Esta escola era ainda maior que a primeira.
Ele tinha que subir grandes escadas até a sua sala...


Um dia a professora disse:
- Hoje nós vamos fazer um desenho.
“Que bom!”, pensou o menininho. E esperou que a professora dissesse o que fazer. Ela não disse. Apenas andava pela sala. Quando veio até o menininho falou:
- Você não quer desenhar?
- Sim. O que é que nós vamos fazer?
- Eu não sei, até que você o faça.
-Como eu posso fazer?
- Da maneira que você gostar.
- E de que cor?
- Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber qual o desenho de cada um?
- Eu não sei!
E começou a desenhar uma flor vermelha com um caule verde...


Ao ler esse texto fico pensando o quão grande é minha responsabilidade enquanto professora. 
Como é triste perceber que a curiosidade de uma criança foi aniquilada na escola. Os professores insistem em manter os alunos enfileirados, copiando e repetindo o que dizem. O personagem central é o professor, é ele dá a nota, dá o conteúdo, ele determina a cor e a forma dos desenhos das crianças. Todos na "forma" quietos, mansos, dando a resposta certa.
Comênio há mais de 300 anos já trazia uma proposta pedagógica que até hoje buscamos e não alcançamos na escola. É preciso abrir espaço às pergunrtas, à curiosidade, à criação.