Mostrando postagens com marcador SI7; Linguagem e Educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador SI7; Linguagem e Educação. Mostrar todas as postagens

sábado, 16 de junho de 2018

CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA

"A consciência fonológica pode ser entendida como um conjunto de habilidades que vão desde a simples percepção global do tamanho da palavra e de semelhanças fonológicas entre as palavras até a segmentação e manipulação de sílabas e fonemas (Bryant &Bradley, 1985). Fazendo parte do processamento fonológico, que se refere às operações mentais de processamento de informação baseadas na estrutura fonológica da linguagem oral. Assim, a consciência fonológica refere-se tanto à consciência de que a fala pode ser segmentada quanto à habilidade de manipular tais segmentos, e se desenvolve gradualmente à medida que a criança vai tomando consciência do sistema sonoro da língua, ou seja, de palavras, sílabas e fonemas como unidades identificáveis (Capovilla &Capovilla, 2000b)."
"Para Morais (2012) são habilidades de consciência fonológica: comparar palavras quanto ao tamanho focando as partes sonoras das palavras, identificar palavras que iniciam com a mesma sílaba, identificar rimas, identificar que no interior de uma palavra podemos formar outras. Algumas habilidades são mais complexas que outras e não são desenvolvidas ao mesmo tempo."

https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2457722/mod_resource/content/1/aula%20de%20consciencia%20fonologica%20completa.pdf

Seguem algumas atividades que eu realizo com as minhas turmas de alfabetização

Atividade 1:
Jogo: TRILHA DO ALFABETO
Material:
·         1 tabuleiro com uma trilha contendo as letras em ordem alfabética. (fig. 1)
 (fig. 1)
·         1 dado com números de 1,2 e 3.
·         Pinos coloridos
·         Cartões com figuras cujos nomes (escritos atrás do cartão) começam com as letras do alfabeto. É ideal que se tenha, no mínimo, uma figura para cada letra.
Meta do Jogo: Chegar primeiro ao final da trilha.
Jogadores: 2 a 4 jogadores
Regras:
Cada jogador, na sua vez, joga o dado e anda na trilha o número de casas de acordo com o que tirou o dado. O jogador deve encontrar uma figura em que a letra que ele parou no tabuleiro corresponda com a letra inicial da figura. Escolhe a figura e verifica atrás da mesma se sua escolha foi correta. Em caso afirmativo, deixa o pino no lugar, caso contrário, volta as casas que andou naquela jogada. Vence o primeiro que chegar ao final da trilha.

Atividade 2:
Brincadeira: Fui para a lua e levei…
O professor escolhe um critério (som inicial/nº de sílabas/rima) que norteará a brincadeira de adivinhação, sem contar para os alunos. A partir daí, ele diz “fui para a lua e levei…” e preenche com uma palavra que corresponda ao critério que ele escolheu. Se for a letra M, por exemplo, ele pode dizer “fui para a lua e levei maçã”. O próximo jogador também escolhe o que levará para a lua. Se ele falar mala, por exemplo, pode ir para a lua. Se falar brinco, o professor não deixa ele viajar. Às vezes acontecem muitas rodadas até que alguém adivinhe qual é a regra que está por trás da brincadeira.
Atividade 3:
Jogo: Bingo dos Sons Iniciais
Material:
• 15 cartelas com seis figuras (cada cartela) e as palavras escritas correspondentes.
• 30 fichas com palavras escritas que têm o mesmo som inicial das palavras que dão nome às figuras das cartelas.
• 1 saco para guardar as fichas de palavras.

Como jogar:
As crianças podem jogar o bingo individualmente ou em duplas.  Cada criança ou dupla recebe uma cartela.

Para começar, combine com eles as regras do jogo. Explique que dentro do saco estão fichas com palavras que começam com o mesmo som das palavras que eles têm nas cartelas. Diga que você vai tirar uma ficha por vez e ler em voz alta para eles. A tarefa é marcar as palavras que começam com som igual. Dê alguns exemplos e escreva na lousa, circulando os sons iniciais parecidos (como casa, cachorro, caminho; janela, jaula, jabuticaba) para que se familiarizem com o jogo.  Peça que eles deem exemplos também. A seguir, leia o texto das regras para que entrem em contato com o gênero instruções de jogos. Certificando-se de que eles entenderam como se joga, comece a retirada e a leitura das fichas, uma a uma. Durante o jogo, percorra a sala para verificar as dificuldades; caso restem dúvidas, retome as regras, lendo e explicando.

Quando sortear as palavras, faça a leitura em tom alto, pausadamente, e procure sempre dar um tempo para que todos os alunos possam ouvi-las claramente e compará-las às palavras e imagens impressas em sua cartela.  No caso de o jogo ser em duplas, sugira que as crianças conversem sobre suas hipóteses, antes de marcar a palavra cantada.

Quando alguém completar a sua cartela, gritará: BINGO! Você pode escrever as palavras na lousa para conferência do que foi assinalado e fazer as intervenções necessárias. Então o jogo pode reiniciar com novas cartelas, se estiverem animados...

Ao final do jogo, proponha a reflexão sobre as partes semelhantes entre as palavras e peça que os estudantes identifiquem a sílaba oral inicial e sua forma escrita. 


Variantes: podem-se criar cruzadinhas ou atividades de completar palavras com lacunas nas sílabas iniciais. Os alunos com hipótese alfabética poderão, com base nas cartelas, formar outras palavras que começam com as mesmas sílabas orais. Se quiserem avançar, podem criar palavras com essas sílabas no meio ou no fim.
Adaptado de: CEEL/UFPE; MEC. Manual didático – Jogos de Alfabetização. Pernambuco: 2009.

Atividade 4:
ALFABETO DO...
A professora com base em uma história,  filme ou tema em estudo,  cria com os alunos um alfabeto.
Escreve na lousa um título para o alfabeto que será definido coletivamente com a turma e escreve abaixo,  todas as letras do alfabeto, uma abaixo da outra, deixando espaço ao lado para a escrita de palavras. Pergunta para os alunos coisas referentes a história/filme/tema, por exemplo: Quem eram os personagens? Onde passou a história? Conforme os alunos vão respondendo às suas perguntas ela vai escrevendo no alfabeto de acordo com as iniciais e fazendo reflexões acerca dos sons iniciais das palavras. Talvez não tenha palavras para todas as letras, mas isso não é problema, podem ficar em branco.
A professora pode reproduzir o alfabeto e entregar  para os alunos e desenvolver várias outras atividades como: leitura, análise das palavras, ditados, entre outras.


Nas minhas turmas essas atividades sempre são muito fecundas, pois percebo uma evolução no desempenho dos alunos ao participar das mesmas. à medida que eles vão avançando no desenvolvimento da sua consciência fonológica, avança o seu processo de construção da escrita.

sábado, 9 de junho de 2018

Síntese da Teoria de Wallon


Wallon era francês, médico, psicólogo e filósofo. Nasceu em 1872 e morreu em 1962. Membro da escola soviético, teórico humanista, propõe o desenvolvimento intelectual dentro de uma cultura humanista. Considerava a pessoa como um todo, numa concepção psicogenética dialética interacionista do desenvolvimento, levando em conta a afetividade, a inteligência e os aspectos motores.
O motor, o afetivo, o cognitivo, a pessoa, embora cada um desses aspectos tenha identidade estrutural e funcional diferenciada, estão tão integrados que cada um é parte constitutiva dos outros. Sua separação se faz necessária apenas para a descrição do processo. Uma das consequências dessa interpretação é de que qualquer atividade humana sempre interfere em todos eles. Qualquer atividade motora tem ressonâncias afetivas e cognitivas; toda disposição afetiva tem ressonâncias motoras e cognitivas; toda operação mental tem ressonâncias afetivas e motoras. E todas essas ressonâncias têm um impacto no quarto conjunto: a pessoa, que, ao mesmo tempo em que garante essa integração, é resultado dela.
MAHONEY (2008, p. 15)

            As crianças nascem imersas em um mundo cultural e simbólico, e ficarão envolvidas em um “sincretismo subjetivo”. Até os três anos, elas não fazem diferenciação entre o mundo externo e o interno, sua compreensão dependerá dos outros, suas reações e comportamentos.
            Wallon foi o primeiro a considerar as emoções como parte fundamental no processo ensino-aprendizagem. Para ele, desenvolvimento significa identificar-se em oposição ao mundo exterior, através de estágios, onde o comportamento aprendido não é extinto mas integrado ao comportamento posterior. A cognição se baseia em quatro categorias de atividades cognitivas definidas como Campos Funcionais: afetividade, movimento, inteligência, formação do eu como pessoa.
            A primeira forma de interação da criança com o mundo externo é a afetividade, ela é a base para formação da inteligência. O movimento tem grande importância na atividade de estruturação do pensamento no período anterior a aquisição da linguagem, se movimentando, tocando os objetos, levando à boca que a criança vai tomando consciência do mundo externo. A inteligência diz respeito a duas importantes atividades cognitivas que é a linguagem e o raciocínio simbólico, à medida que a criança consegue pensar nas coisas na ausência das mesmas o raciocínio simbólico vai se desenvolvendo, a criança passa a diferenciar o significante do significado. A formação do eu como pessoa é responsável pelo desenvolvimento da consciência e da identidade do eu, para Wallon, esse campo funcional coordena os demais. A relação entre os campos funcionais não se dá harmoniosamente, muitas crises e conflitos acontecem no decorrer do desenvolvimento da criança. E ela se desenvolve com seus conflitos internos. A cognição se desenvolve dialeticamente, num processo de tese, antítese, síntese entre os campos funcionais.
De acordo com ACIOLY-RÉGNIER e FERREIRA:
“Wallon situa a noção de pessoa como o conjunto funcional resultante da integração de suas dimensões, e cujo processo de desenvolvimento ocorre na integração do orgânico com o meio, que em sua teoria é sempre predominantemente social.
               O desenvolvimento da pessoa como um ser completo não ocorre de forma linear e contínua, mas apresenta movimentos que implicam integração, conflitos e alternâncias na predominância dos conjuntos funcionais. No que diz respeito à afetividade e cognição, esses conjuntos revezam-se, em termos de prevalência, ao longo dos estágios de desenvolvimento. Nos estágios impulsivo-emocional, personalismo, puberdade e adolescência, nos quais predomina o movimento para si mesmo (força centrípeta) há uma maior prevalência do conjunto funcional afetivo, enquanto no sensório-motor e projetivo e categorial, nos quais o movimento se dá para fora, para o conhecimento do outro (força centrífuga), o predomínio é do conjunto funcional cognitivo. ”
(ACIOLY-RÉGNIER e FERREIRA, 2010, p.29)

            Wallon propõe estágios de desenvolvimento, assim como Piaget, mas não linearmente, não especifica idades limites, mas existe um tempo aproximado e comum entre as crianças.
            Impulsivo-Emocional (0-1ano): A criança está imersa no mundo e não há distinção para ela entre o mundo externo e seu corpo. Há pouca coordenação motora e os movimentos são desorientados. O meio externo, o ambiente facilita seu desenvolvimento, à medida que ela percebendo seus movimentos de forma funcional e suas emoções passam a ser diferenciadas.
            Sensório-Motor e Projetivo (3 meses-3anos): nesse estágio a inteligência predomina, pois passa a interagir com os objetos através de movimentos mais coordenados e intencionais (inteligência prática) e começa a fazer imitações e desenvolver e fazer uso da linguagem (inteligência discursiva). A criança assume um comportamento de orientação e investigação. Passa a relacionar-se com o meio através de expressões emocionais (sorriso, choro, imitação). O pensamento se projeta em atos motores.
            Personalismo (3 - 6 anos): momento crucial para a formação da personalidade e sua auto consciência. Uma característica desse estágio é a crise-negativista como forma da criança se auto afirmar, a criança passa a se opor ao adulto. Outra característica é a imitação motora e social.
            Categorial (6 - 11 anos): nesse estágio há exaltação da inteligência sobre as emoções. Constituição da rede de categorias, dominadas por conteúdos concretos. Começa a desenvolver a memória e atenção voluntária. O poder de abstração é significativamente amplificado.
            Adolescência (11-12 anos): esse é um estágio onde começa a ocorrer transformações físicas no corpo é um estágio caracteristicamente afetivo e de muitos conflitos internos e externos. Começa o desenvolvimento sexual. Apresenta atitudes de auto afirmação.
Ocorre a crise da puberdade. Retorno ao eu corporal e ao eu psíquico (oposição). Dobra do pensamento sobre si mesmo (preocupações teóricas, dúvida). Tomada de consciência de si mesmo no tempo (inquietudes metafísicas, orientação de acordo com eleições e metas definidas.
            Wallon não especificou estagio final, pois nunca acreditou que o mesmo existisse. Pois, para ele, o processo dialético de aprendizagem jamais se encerra.
            Concluindo, na teoria de Wallon a afetividade é fator importantíssimo no desenvolvimento cognitivo do indivíduo, são aspectos que não se separam, eles “andam” juntos no processo ensino-aprendizagem. Em função disso, a relação professor x aluno, o vínculo afetivo estabelecido tem fundamental importância nesse processo ensino-aprendizagem.

Uma educação comprometida com uma agenda reflexiva busca ampliar e resgatar os fundamentos da razão formativa, a saber: a humanização. Isso implica novos desafios para educação e para escola. Dentre eles podemos incluir o questionamento acerca do lugar da afetividade e suas relações com a cognição no campo educacional.
(ACIOLY-RÉGNIER e FERREIRA, 2010, p.23)
Referências:

ACIOLY-RÉGNIER, NADJA MARIA. FERREIRA , AURINO LIMA.  Contribuições de Henri Wallon à relação cognição e afetividade na educação. Educar, Curitiba, n. 36, p. 21-38. Editora UFPR, 2010.

MAHONEY, A. A.; ALMEIDA, L. R. de. Afetividade e processo ensino-aprendizagem: contribuições de Henri Wallon. Psicologia da educação, v. 20, p. 11-30, 2005. ISSN 1414-6975


acesso em 10/06/2018.

video disponibilizado pela interdisciplina Linguagem e Educação acesso em 10/06/2018.

Comentário: Foi um estudo muito significativo para mim que sempre considerei o aspecto da afetividade como muito importante na ação pedagógica, por perceber que com o vínculo afetivo bem fortalecido entre eu e meus alunos, o processo ensino aprendizagem se tornava mais bem sucedido.
A teoria de Wallon sustenta teoricamente aquilo que eu sempre defendi como importante: sem vínculo entre professor e aluno a aprendizagem se torna muito mais difícil.
A teoria de Wallon sustenta teoricamente a pratica de trabalhar com os estudante assuntos que são significativos para eles, que simbolizam algo importante que oportuniza a elaboração dos seus conflitos internos e externos.