sábado, 9 de junho de 2018

Síntese da Teoria de Wallon


Wallon era francês, médico, psicólogo e filósofo. Nasceu em 1872 e morreu em 1962. Membro da escola soviético, teórico humanista, propõe o desenvolvimento intelectual dentro de uma cultura humanista. Considerava a pessoa como um todo, numa concepção psicogenética dialética interacionista do desenvolvimento, levando em conta a afetividade, a inteligência e os aspectos motores.
O motor, o afetivo, o cognitivo, a pessoa, embora cada um desses aspectos tenha identidade estrutural e funcional diferenciada, estão tão integrados que cada um é parte constitutiva dos outros. Sua separação se faz necessária apenas para a descrição do processo. Uma das consequências dessa interpretação é de que qualquer atividade humana sempre interfere em todos eles. Qualquer atividade motora tem ressonâncias afetivas e cognitivas; toda disposição afetiva tem ressonâncias motoras e cognitivas; toda operação mental tem ressonâncias afetivas e motoras. E todas essas ressonâncias têm um impacto no quarto conjunto: a pessoa, que, ao mesmo tempo em que garante essa integração, é resultado dela.
MAHONEY (2008, p. 15)

            As crianças nascem imersas em um mundo cultural e simbólico, e ficarão envolvidas em um “sincretismo subjetivo”. Até os três anos, elas não fazem diferenciação entre o mundo externo e o interno, sua compreensão dependerá dos outros, suas reações e comportamentos.
            Wallon foi o primeiro a considerar as emoções como parte fundamental no processo ensino-aprendizagem. Para ele, desenvolvimento significa identificar-se em oposição ao mundo exterior, através de estágios, onde o comportamento aprendido não é extinto mas integrado ao comportamento posterior. A cognição se baseia em quatro categorias de atividades cognitivas definidas como Campos Funcionais: afetividade, movimento, inteligência, formação do eu como pessoa.
            A primeira forma de interação da criança com o mundo externo é a afetividade, ela é a base para formação da inteligência. O movimento tem grande importância na atividade de estruturação do pensamento no período anterior a aquisição da linguagem, se movimentando, tocando os objetos, levando à boca que a criança vai tomando consciência do mundo externo. A inteligência diz respeito a duas importantes atividades cognitivas que é a linguagem e o raciocínio simbólico, à medida que a criança consegue pensar nas coisas na ausência das mesmas o raciocínio simbólico vai se desenvolvendo, a criança passa a diferenciar o significante do significado. A formação do eu como pessoa é responsável pelo desenvolvimento da consciência e da identidade do eu, para Wallon, esse campo funcional coordena os demais. A relação entre os campos funcionais não se dá harmoniosamente, muitas crises e conflitos acontecem no decorrer do desenvolvimento da criança. E ela se desenvolve com seus conflitos internos. A cognição se desenvolve dialeticamente, num processo de tese, antítese, síntese entre os campos funcionais.
De acordo com ACIOLY-RÉGNIER e FERREIRA:
“Wallon situa a noção de pessoa como o conjunto funcional resultante da integração de suas dimensões, e cujo processo de desenvolvimento ocorre na integração do orgânico com o meio, que em sua teoria é sempre predominantemente social.
               O desenvolvimento da pessoa como um ser completo não ocorre de forma linear e contínua, mas apresenta movimentos que implicam integração, conflitos e alternâncias na predominância dos conjuntos funcionais. No que diz respeito à afetividade e cognição, esses conjuntos revezam-se, em termos de prevalência, ao longo dos estágios de desenvolvimento. Nos estágios impulsivo-emocional, personalismo, puberdade e adolescência, nos quais predomina o movimento para si mesmo (força centrípeta) há uma maior prevalência do conjunto funcional afetivo, enquanto no sensório-motor e projetivo e categorial, nos quais o movimento se dá para fora, para o conhecimento do outro (força centrífuga), o predomínio é do conjunto funcional cognitivo. ”
(ACIOLY-RÉGNIER e FERREIRA, 2010, p.29)

            Wallon propõe estágios de desenvolvimento, assim como Piaget, mas não linearmente, não especifica idades limites, mas existe um tempo aproximado e comum entre as crianças.
            Impulsivo-Emocional (0-1ano): A criança está imersa no mundo e não há distinção para ela entre o mundo externo e seu corpo. Há pouca coordenação motora e os movimentos são desorientados. O meio externo, o ambiente facilita seu desenvolvimento, à medida que ela percebendo seus movimentos de forma funcional e suas emoções passam a ser diferenciadas.
            Sensório-Motor e Projetivo (3 meses-3anos): nesse estágio a inteligência predomina, pois passa a interagir com os objetos através de movimentos mais coordenados e intencionais (inteligência prática) e começa a fazer imitações e desenvolver e fazer uso da linguagem (inteligência discursiva). A criança assume um comportamento de orientação e investigação. Passa a relacionar-se com o meio através de expressões emocionais (sorriso, choro, imitação). O pensamento se projeta em atos motores.
            Personalismo (3 - 6 anos): momento crucial para a formação da personalidade e sua auto consciência. Uma característica desse estágio é a crise-negativista como forma da criança se auto afirmar, a criança passa a se opor ao adulto. Outra característica é a imitação motora e social.
            Categorial (6 - 11 anos): nesse estágio há exaltação da inteligência sobre as emoções. Constituição da rede de categorias, dominadas por conteúdos concretos. Começa a desenvolver a memória e atenção voluntária. O poder de abstração é significativamente amplificado.
            Adolescência (11-12 anos): esse é um estágio onde começa a ocorrer transformações físicas no corpo é um estágio caracteristicamente afetivo e de muitos conflitos internos e externos. Começa o desenvolvimento sexual. Apresenta atitudes de auto afirmação.
Ocorre a crise da puberdade. Retorno ao eu corporal e ao eu psíquico (oposição). Dobra do pensamento sobre si mesmo (preocupações teóricas, dúvida). Tomada de consciência de si mesmo no tempo (inquietudes metafísicas, orientação de acordo com eleições e metas definidas.
            Wallon não especificou estagio final, pois nunca acreditou que o mesmo existisse. Pois, para ele, o processo dialético de aprendizagem jamais se encerra.
            Concluindo, na teoria de Wallon a afetividade é fator importantíssimo no desenvolvimento cognitivo do indivíduo, são aspectos que não se separam, eles “andam” juntos no processo ensino-aprendizagem. Em função disso, a relação professor x aluno, o vínculo afetivo estabelecido tem fundamental importância nesse processo ensino-aprendizagem.

Uma educação comprometida com uma agenda reflexiva busca ampliar e resgatar os fundamentos da razão formativa, a saber: a humanização. Isso implica novos desafios para educação e para escola. Dentre eles podemos incluir o questionamento acerca do lugar da afetividade e suas relações com a cognição no campo educacional.
(ACIOLY-RÉGNIER e FERREIRA, 2010, p.23)
Referências:

ACIOLY-RÉGNIER, NADJA MARIA. FERREIRA , AURINO LIMA.  Contribuições de Henri Wallon à relação cognição e afetividade na educação. Educar, Curitiba, n. 36, p. 21-38. Editora UFPR, 2010.

MAHONEY, A. A.; ALMEIDA, L. R. de. Afetividade e processo ensino-aprendizagem: contribuições de Henri Wallon. Psicologia da educação, v. 20, p. 11-30, 2005. ISSN 1414-6975


acesso em 10/06/2018.

video disponibilizado pela interdisciplina Linguagem e Educação acesso em 10/06/2018.

Comentário: Foi um estudo muito significativo para mim que sempre considerei o aspecto da afetividade como muito importante na ação pedagógica, por perceber que com o vínculo afetivo bem fortalecido entre eu e meus alunos, o processo ensino aprendizagem se tornava mais bem sucedido.
A teoria de Wallon sustenta teoricamente aquilo que eu sempre defendi como importante: sem vínculo entre professor e aluno a aprendizagem se torna muito mais difícil.
A teoria de Wallon sustenta teoricamente a pratica de trabalhar com os estudante assuntos que são significativos para eles, que simbolizam algo importante que oportuniza a elaboração dos seus conflitos internos e externos.

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