sexta-feira, 8 de junho de 2018

Analisando uma situação escolar com base na teoria estudada

A interdisciplina  Seminário Integrador 7 do curso de graduação em Pedagogia na modalidade à distância da UFRGS propôs um trabalho de escrita, onde tínhamos que analisar e escrever com auxílio de uma "cola" que foi realizada anteriormente individual e coletivamente com base em conceitos presentes nos textos disponibilizado pelas interdisciplinas ao longo do curso.
Na construção da cola já pude rever muitos conceitos importantes e preocupei-me em colocar o máximo de informações e citações possível, para uso posterior. Durante à escrita só tínhamos acesso à cola. E como eu mesma tinha elaborado a cola, estava apropriada dos conceitos abordados no texto a ser analisado. Não foi difícil analisar a cena escolar e teorizá-la. Foi um trabalho muito interessante, rico em argumentos e evidências. Posteriormente, duas colegas revisaram meu trabalho e receberei essa revisão para uma possível reescrita. E eu também revisei o trabalho de duas colegas.
Esse é um tipo de trabalho que se aprende ao fazer a cola, ao escrever, ao analisar a escrita dos colegas, ao verificar a revisão das colegas e ao reescrever.
Quando eu receber meu trabalho revisado, compartilharei aqui, assim como a revisão das colegas.
A revisão feita pelas colegas serviu para qualificar meu trabalho, pois uma das colegas na sua revisão identificou a ausência do conceito de Escola Democrática e serviu para que eu relesse e incluísse o conceito solicitado de forma mais clara e fundamentada.
Segue o meu trabalho final:

Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Curso de Graduação em Pedagogia – Licenciatura/Modalidade à Distância
Seminário Integrador VII
Professora Simone Bicca Charczuck
Graduanda: JAQUELINE VIEGAS PEREIRA
            O presente trabalho destina-se a analisar uma cena do cotidiano escolar.
CENA
            Contexto:  reunião de professores juntamente com a equipe diretiva para discutir as dificuldades dos alunos que se manifesta nos índices oficiais de avaliação. No decorrer da reunião os professores se manifestam. Vejamos uma parte da conversa que ocorreu na reunião:
Professora Orquídea: Estou frustrada, tenho perdido meus finais de semana preparando excelentes aulas. na sala de aula faço boas exposições dos conteúdos e quando passo os exercícios os alunos não conseguem acertar nada, mesmo depois de ter repetido várias vezes a explicação. Acho que esses alunos de hoje não querem estudar, não dão a menor atenção para o que eu falo e só conversam.
Análise: Essa professora apresenta uma prática baseada no Empirismo, que parte da ideia que o aluno quando chega à escola é “tábula rasa”, que nada sabe e que através de explicações ele passa a adquirir conhecimento. Conforme BECKER (1994), por muito tempo até hoje, vemos nas escolas uma pedagogia diretiva com bases epistemológicas empiristas onde o aluno é mero receptor. O professor dá a aula, dá a matéria e o aluno precisa somente copiar e reproduzir.. é a conhecida educação bancária, onde tudo é depositado na ilusão de que o aluno está aprendendo. E como o professor não leva em conta os conhecimentos que os alunos já trazem, segue a lógica do conteúdo e não do processo dos alunos. Os alunos só conversam por que, certamente, o que o professor trabalha nada tem a ver com a vida dos alunos, não estabelecem relações com nada, não faz sentido, logo, não é interessante, não lhe dão atenção e só conversam.
Professora Margarida: Eu também trabalhava assim, mas agora tenho trabalhado com desafios. Acho que os alunos aprendem mais. Eles resolvem individualmente e depois discutem com os colegas em grupos. Enquanto eles trabalham eu converso com eles, esclareço dúvidas e coloco questionamentos. Como fechamento, discutimos as soluções que os grupos deram para os desafios.
            Análise: Essa professora percebeu que com uma metodologia relacional, com base epistemológica construtivista, os alunos aprendem mais. De acordo com MACEDO (1993), “o construtivismo valoriza as ações, enquanto operações do sujeito que conhece”. Essa professora passou a propor desafios, onde os alunos precisavam pensar e resolver situações-problema, interagindo com os colegas, construindo conhecimento a partir daquilo que é significativo.
Professora Rosa: Eu também acho que o professor precisa escutar os seus alunos, saber quais são as suas dificuldades, quais são os interesses. Eles definem o que vai ser trabalhado na aula. Eu nem me meto. Pode parecer bagunça, mas as crianças precisam de um ambiente que permita a expressão da sua criatividade.
Análise: Essa professora tornou o espaço da sala de aula, um espaço democrático, onde os alunos decidem o que vão aprender.  Segundo TOSTO (1993), as escolas democráticas estão inseridas dentro de uma linha chamada de Pedagogia Libertária que se caracteriza por abordar a questão pedagógica diante de uma perspectiva baseada na liberdade e igualdade, eliminando as relações autoritárias presentes no modelo educacional tradicional. . Esses ambientes de ensino colocam os alunos como os atores centrais do processo educacional, ao engajar estudantes em cada aspecto das operações da escola, incluindo aprendizagem, ensino e liderança. Os adultos participam do processo educacional facilitando as atividades de acordo com os interesses dos estudantes. Na escola democrática o professor deixa de ser autoridade ou transmissor do conhecimento para tornar-se mediador das relações interpessoais e facilitador do descobrimento.

Professor Cravo: tem uma grande diferença do planejamento que utilizo na escola particular que eu trabalho. Os alunos daqui não têm condições de acompanhar! Se eu der tudo isso que trabalho lá, acabo reprovando a maioria. Daí tu já viu né, incomodação na certa!
Análise:  Segundo VARELA (1992), a escola pública foi criada pela burguesia com a finalidade de civilizar os filhos de trabalhadores, transformando tábula rasa em um bom trabalhador, honrado e produtor, fantasiada de “Direito de Educação a todos”. O nível de pobreza de cada criança definia o tipo de internato que frequentariam. Desde então o ensino é diferenciado. Existem tratados pedagógicos que se perpetuam e se naturalizam dentro da escola. O ensino de uma escola pública é inferior ao da escola particular, assim como ilustra a cena descrita acima.
“Diretor Antúrio: Mas eu estou preocupado com o aumento da indisciplina na nossa escola. Na semana passada fui nas aulas de alguns professores- não vou citar nomes – e encontrei a maior bagunça. O professor precisa ter o controle da turma, ele fala e os alunos atendem. A escola sempre existiu para mostrar para as novas gerações o que se espera delas: dominar conteúdos e ser disciplinado. Quem não concorda com isso deve procurar outra escola.”
Análise: A concepção de educação e de escola do diretor é completamente empirista e antidemocrática. Pois ele defende a ideia de que para aprender é necessário que o professor transmita o conteúdo e os alunos repitam de forma imóvel e silenciosa. O autoritarismo é claro em sua fala, pois ele exige que todos trabalhem de acordo como ele pensa ou procurem outra escola. Ele entende a função da escola, a partir de uma ideia de que a escola serve para civilizar, instruir e tornar as pessoas obedientes, de acordo com Varela (1992) essa é uma concepção presente dentro da escola desde a sua origem.

Concluindo, a cena sugerida para análise é muito comum no cotidiano escolar. Existem dentro de uma mesma instituição diferentes concepções de como se aprende e qual o papel da escola, do professor, etc. Muitos professores acreditam em uma escola que dá o conteúdo, dá a prova, dá a nota e o aluno nada mais tem a fazer do que ser disciplinado, repetir corretamente tudo o que o professor diz. Porém, existem também os professores que acreditam que o conhecimento precisa ser construído através da ação, através da interação e que o espaço da sala de aula e da escola pode ser um espaço democrático. Com isso, muitas discussões e transformações vem acontecendo no ambiente escolar, mas percebo que esse processo é lento. Enquanto isso, os alunos permanecem enfileirados, repetindo atividades estéreis, imóveis e sem sentido, consequentemente, aprendendo muito pouco.

Referências:
BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.89-96, 01 jun. 1994. Semestral. 19(1). Disponível em https://pt.scribd.com/document/260250772/BECKER-fernando-Mode4los-pedagogicos-e-modelos-epistemologicos-2-pdf.Acesso em 10 abr.2018.
MACEDO, Lino de. O Construtivismo e sua função educacional. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.25-31, 01 jun. 1993. 18(1)  Disponível em:<https//www.ufrgs.br/psicoeduc/piaget/o-construtivismo-e-sua-funcao-educacional/>. Acesso em: 10 abr. 2018.
TOSTO, Rosanei. Escolas Democráticas Utopias ou Realidade. revista Pandora Brasil, ISSN2175-3318.V 4. 2011.  Disponível em: http://docplayer.com.br/7270548-Escolas-emocraticas-utopia-ou-realidade.html. Acesso em 10 abr. 2018.
VARELA, Julia et al. A maquinaria Escolar. Teoria e Educação, São Paulo, n. 6, p.68-96, 1992. Disponível em: <https: //pt.scribd.com/doc/70553618/Julia-Varela-e-Fernando-Alvarez-Uria-maquinaria-Escolar-1>. Acesso em 10 abr. 2018.

 

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