Wallon
era francês, médico, psicólogo e filósofo. Nasceu em 1872 e morreu em 1962.
Membro da escola soviético, teórico humanista, propõe o desenvolvimento
intelectual dentro de uma cultura humanista. Considerava a pessoa como um todo,
numa concepção psicogenética dialética interacionista do desenvolvimento,
levando em conta a afetividade, a inteligência e os aspectos motores.
O motor, o afetivo, o cognitivo, a pessoa, embora cada
um desses aspectos tenha identidade estrutural e funcional diferenciada, estão
tão integrados que cada um é parte constitutiva dos outros. Sua separação se
faz necessária apenas para a descrição do processo. Uma das consequências dessa
interpretação é de que qualquer atividade humana sempre interfere em todos
eles. Qualquer atividade motora tem ressonâncias afetivas e cognitivas; toda
disposição afetiva tem ressonâncias motoras e cognitivas; toda operação mental
tem ressonâncias afetivas e motoras. E todas essas ressonâncias têm um impacto
no quarto conjunto: a pessoa, que, ao mesmo tempo em que garante essa
integração, é resultado dela.
MAHONEY (2008, p. 15)
As crianças nascem imersas em um
mundo cultural e simbólico, e ficarão envolvidas em um “sincretismo subjetivo”.
Até os três anos, elas não fazem diferenciação entre o mundo externo e o
interno, sua compreensão dependerá dos outros, suas reações e comportamentos.
Wallon foi o primeiro a considerar
as emoções como parte fundamental no processo ensino-aprendizagem. Para ele,
desenvolvimento significa identificar-se em oposição ao mundo exterior, através
de estágios, onde o comportamento aprendido não é extinto mas integrado ao
comportamento posterior. A cognição se baseia em quatro categorias de
atividades cognitivas definidas como Campos
Funcionais: afetividade, movimento, inteligência, formação do eu como pessoa.
A primeira forma de interação da
criança com o mundo externo é a afetividade,
ela é a base para formação da inteligência. O movimento tem grande importância
na atividade de estruturação do pensamento no período anterior a aquisição da
linguagem, se movimentando, tocando os objetos, levando à boca que a criança
vai tomando consciência do mundo externo. A inteligência diz respeito a duas importantes atividades cognitivas
que é a linguagem e o raciocínio simbólico, à medida que a criança consegue
pensar nas coisas na ausência das mesmas o raciocínio simbólico vai se
desenvolvendo, a criança passa a diferenciar o significante do significado. A formação do eu como pessoa é
responsável pelo desenvolvimento da consciência e da identidade do eu, para
Wallon, esse campo funcional coordena os demais. A relação entre os campos
funcionais não se dá harmoniosamente, muitas crises e conflitos acontecem no
decorrer do desenvolvimento da criança. E ela se desenvolve com seus conflitos
internos. A cognição se desenvolve dialeticamente, num processo de tese,
antítese, síntese entre os campos funcionais.
De acordo com ACIOLY-RÉGNIER e FERREIRA:
“Wallon situa a noção de pessoa como o conjunto
funcional resultante da integração de suas dimensões, e cujo processo de
desenvolvimento ocorre na integração do orgânico com o meio, que em sua teoria
é sempre predominantemente social.
O
desenvolvimento da pessoa como um ser completo não ocorre de forma linear e
contínua, mas apresenta movimentos que implicam integração, conflitos e
alternâncias na predominância dos conjuntos funcionais. No que diz respeito à
afetividade e cognição, esses conjuntos revezam-se, em termos de prevalência,
ao longo dos estágios de desenvolvimento. Nos estágios impulsivo-emocional,
personalismo, puberdade e adolescência, nos quais predomina o movimento para si
mesmo (força centrípeta) há uma maior prevalência do conjunto funcional afetivo,
enquanto no sensório-motor e projetivo e categorial, nos quais o movimento se
dá para fora, para o conhecimento do outro (força centrífuga), o predomínio é
do conjunto funcional cognitivo. ”
(ACIOLY-RÉGNIER e FERREIRA, 2010, p.29)
Wallon propõe estágios de
desenvolvimento, assim como Piaget, mas não linearmente, não especifica idades
limites, mas existe um tempo aproximado e comum entre as crianças.
Impulsivo-Emocional
(0-1ano): A criança está imersa no mundo e não há distinção para ela entre o
mundo externo e seu corpo. Há pouca coordenação motora e os movimentos são
desorientados. O meio externo, o ambiente facilita seu desenvolvimento, à
medida que ela percebendo seus movimentos de forma funcional e suas emoções
passam a ser diferenciadas.
Sensório-Motor
e Projetivo (3 meses-3anos): nesse estágio a inteligência predomina, pois
passa a interagir com os objetos através de movimentos mais coordenados e
intencionais (inteligência prática) e começa a fazer imitações e desenvolver e
fazer uso da linguagem (inteligência discursiva). A criança assume um
comportamento de orientação e investigação. Passa a relacionar-se com o meio
através de expressões emocionais (sorriso, choro, imitação). O pensamento se
projeta em atos motores.
Personalismo
(3 - 6 anos): momento crucial para a formação da personalidade e sua auto consciência.
Uma característica desse estágio é a crise-negativista como forma da criança se
auto afirmar, a criança passa a se opor ao adulto. Outra característica é a
imitação motora e social.
Categorial
(6 - 11 anos): nesse estágio há exaltação da inteligência sobre as emoções.
Constituição da rede de categorias, dominadas por conteúdos concretos. Começa a
desenvolver a memória e atenção voluntária. O poder de abstração é significativamente
amplificado.
Adolescência
(11-12 anos): esse é um estágio onde começa a ocorrer transformações físicas no
corpo é um estágio caracteristicamente afetivo e de muitos conflitos internos e
externos. Começa o desenvolvimento sexual. Apresenta atitudes de auto
afirmação.
Ocorre
a crise da puberdade. Retorno ao eu corporal e ao eu psíquico (oposição).
Dobra do pensamento sobre si mesmo (preocupações teóricas, dúvida). Tomada
de consciência de si mesmo no tempo (inquietudes metafísicas,
orientação de acordo com eleições e metas definidas.
Wallon não especificou estagio
final, pois nunca acreditou que o mesmo existisse. Pois, para ele, o processo
dialético de aprendizagem jamais se encerra.
Concluindo, na teoria de Wallon a
afetividade é fator importantíssimo no desenvolvimento cognitivo do indivíduo,
são aspectos que não se separam, eles “andam” juntos no processo
ensino-aprendizagem. Em função disso, a relação professor x aluno, o vínculo
afetivo estabelecido tem fundamental importância nesse processo
ensino-aprendizagem.
Uma educação comprometida com uma agenda reflexiva
busca ampliar e resgatar os fundamentos da razão formativa, a saber: a
humanização. Isso implica novos desafios para educação e para escola. Dentre
eles podemos incluir o questionamento acerca do lugar da afetividade e suas
relações com a cognição no campo educacional.
(ACIOLY-RÉGNIER e FERREIRA, 2010, p.23)
Referências:
ACIOLY-RÉGNIER, NADJA MARIA. FERREIRA
, AURINO LIMA. Contribuições de Henri Wallon à relação cognição e afetividade na
educação. Educar, Curitiba, n. 36, p. 21-38. Editora UFPR, 2010.
MAHONEY, A. A.; ALMEIDA, L. R.
de. Afetividade e processo
ensino-aprendizagem: contribuições de Henri Wallon. Psicologia da educação,
v. 20, p. 11-30, 2005. ISSN 1414-6975
acesso
em 10/06/2018.
video
disponibilizado pela interdisciplina Linguagem e Educação acesso em 10/06/2018.
Comentário: Foi um estudo muito significativo para mim que sempre considerei o aspecto da afetividade como muito importante na ação pedagógica, por perceber que com o vínculo afetivo bem fortalecido entre eu e meus alunos, o processo ensino aprendizagem se tornava mais bem sucedido.
A teoria de Wallon sustenta teoricamente aquilo que eu sempre defendi como importante: sem vínculo entre professor e aluno a aprendizagem se torna muito mais difícil.
A teoria de Wallon sustenta teoricamente a pratica de trabalhar com os estudante assuntos que são significativos para eles, que simbolizam algo importante que oportuniza a elaboração dos seus conflitos internos e externos.