Fatores que interferem – aspectos neuronais
A aprendizagem da leitura e escrita é muito recente sob o ponto de
vista da evolução. Por isso não é uma aprendizagem natural. Precisa
ser cuidadosamente pensada para que ocorra com sucesso para a
maioria dos alunos.
O que é aprender?
Aprender é colocar na memória de longo prazo e poder
recuperar a informação quando for necessário. É criar redes
cada vez mais potentes.
Na figura anterior vemos o funcionamento da memória.
Na sala de aula, ou em qualquer lugar, somos bombardeados por uma série de informações
vindas do exterior (a voz do professor, a luminosidade da sala, os sons externos à escola, os
sons dos demais alunos, a umidade do ar, a tonalidade da parede da sala de aula, etc.)
Para aprender aquilo que nos interessa, temos que filtrar as informações relevantes e deixar
passar somente as que nos interessam. Uma vez feito isso, essas informações vão para a
memória de trabalho, que “retira” da memória de longo prazo, as memórias anteriores
referentes a esse assunto novo, para poder processar essas novas informações. Após o
processamento na memória de trabalho, que é extremamente rápida, mas que só processa mais
ou menos umas 7 Unidades de Informação, essa informação passa para e memória de curto
prazo. Depois, geralmente durante a fase de sono, essas novas informações, caso sejam
consideradas importantes, voltam para a memória a longo prazo, de uma forma mais completa,
integradas com as memórias anteriores, e formando uma rede neuronal mais potente,
permitindo novas aprendizagens.
Uma questão muito importante se refere ao PRAZER.
Nosso sistema límbico é uma das arquiteturas mais antigas do nosso
cérebro. Sua função principal é a de nos mantermos vivos.
É essa estrutura interna do nosso cérebro que se encontra nesta figura.
Ele vive nos regendo e fazendo fazer coisas das quais nem sabemos
que estamos sendo comandadas para fazer.
Por exemplo: ficar com o rosto voltado para a porta do elevador.
Porque fazemos isso? Por que é a forma mais fácil de sair do mesmo
se houver uma pane.
Sentar junto às paredes da sala de aula, ou nas mesas de restaurante mais próximas às paredes.
Como não vemos o que se passa nas nossas costas, nós nos sentimos protegidos, com as costas na
parede. Mas se o restaurante for bufê livre, aí escolhemos as mesas mais próximas a ele, para poder
comer o que quiser.
É este sistema límbico que decide o que será colocado na memória de longo prazo. Se foi uma
aprendizagem em que nós tivemos êxito, ele deixará entrar. Se foi algo que não conseguimos fazer,
ou foi estressante, ele tenderá a não deixar entrar, nem essa, nem outras atividades parecidas.
Por isso é muito importante fazer com que todos os alunos tenham êxito desde os primeiros dias de
aula.(grifos meus)
Sob o ponto de vista neuronal, para que ocorra a aprendizagem da leitura e da escrita é preciso
seguir um processo que tem os seguintes passos:
1) Aprendizagem fonológica inicial (ouvir e reconhecer sons do ambiente, ouvir e reconhecer
uma sequência de sons, fazer rimas, separar um texto ouvido em frases, as frases em palavras, as
palavras em sílabas)
2) Aprendizagem dos sons de todas as letras do alfabeto
3) Aprendizagem fonológica mais avançada: reconhecer os fonemas iniciais, reconhecer os
fonemas finais, excluir fonemas, incluir fonemas;
4) Reconhecer palavras básicas de dois fonemas;
5) Reconhecer palavras básicas de três fonemas;
6) Construir (com letras móveis) palavras de quatro fonemas;
7) Converter fonema em grafema e introduzir a escrita (nome próprio, o mistério das letras)
8) Trabalhar regras contextuais (r/rr; c/qu- g/gu; i/e;u/o; nazalização, M antes de P e B
9) Regras contextuais complexas: acentuação
10) Estratégias para H inicial; J antes de E e I, X com som da /s/, /ch/, /z/, /ks/; S, SC, SS
Texto extraído de uma apresentação feita pela professora da Interdisciplina de Fundamentos da Alfabetização, Annamaria Píffero Rangel.
Tenho alguns alunos que parecem não reter informações. O que aprendem hoje, amanhã não sabem mais. As letras trabalhadas exaustivamente não são memorizadas. Uma das alunas não vivencia experiências bem sucedidas na escola, tudo pra ela parece ser difícil, sempre a procura de respostas dos colegas para copiar, não apresenta um comportamento de auto-confiança. Ela nunca sabe porque não veio à aula no dia anterior, ou finge que não sabe, talvez por ter vergonha de dizer o real motivo, pois às vezes, não tem dinheiro para passagem de ônibus.É uma aluna que apresenta muitas faltas.
Penso que eu deva propor atividades em que ela possa ser bem sucedida, para poder ampliar sua memória de longo prazo.

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