segunda-feira, 9 de outubro de 2017

ESCOLA COMO LABORATÓRIO E NÃO COMO AUDITÓRIO



Fernando Becker é Professor de Psicologia da Educação na UFRGS. É destaque na pesquisa na área da Educação no Brasil. Estuda duas grandes referências que contribuem para a Pedagogia que é Jean Piaget e Paulo Freire.
Becker defende a ideia de que a aula tem que ser mais laboratório e menos auditório. Onde os alunos possam experimentar, elaborar hipóteses, usar a intuição, fazer perguntas. Saindo da monotonia e inércia de reproduzir tudo o que o professor acha que ensina, tão comum nas escolas.  O professor precisa conhecer os processos de conhecimento e aprendizagem dos alunos para poder planejar para um aluno real, ao invés de planejar para um aluno irreal.

No vídeo Becker faz uma análise de alguns textos de Jean Piaget; Aprendizagem e Conhecimento (1959); Desenvolvimento e Aprendizagem (1972). Piaget situa a aprendizagem na equilibração, nas palavras de Becker, na frustração reflexionante. O desenvolvimento é um processo espontâneo ligado ao processo global da embriogênese. O desenvolvimento explica a aprendizagem e se relaciona com a totalidade das estruturas do conhecimento. O desenvolvimento possibilita a aprendizagem. Becker critica a escola que tenta ensinar aritmética às crianças que ainda não possuem a conservação do número construída. Ele coloca que a função da escola é aumentar a capacidade de aprender e não de acumular conteúdos. A escola precisa ser mais laboratório e menos auditório. Onde os alunos sejam instigados a pensar a construir conhecimento pela ação e interação e não a reproduzir conhecimentos que não fazem o menor sentido.

Referências: 

Vídeos disponibilizados pela Interdisciplina Desenvolvimento e Aprendizagem sob o Enfoque da Psicologia II disponíveis em:

https://www.youtube.com/watch?v=mFbGcIopct4, acesso em 09/10/2017
https://www.youtube.com/watch?v=xjfKBGIHPjs, acesso em 09/10/2017
 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

CROCODILOS E AVESTRUZES






O texto “Sobre crocodilos e avestruzes: falando de diferenças físicas, preconceitos e a sua superação” de Lígia Assumpção Amaral nos propõe uma reflexão acerca do que chamamos de anormalidade/deficiência. Nos leva a pensar na deficiência como expressão da diversidade da natureza e da condição humana e não mais como patologia.
            Os preconceitos que trazemos ao longo da vida sobre aqueles que são diferentes de nós, mas, sobretudo, sobre as pessoas com deficiência nos impedem de entender que a deficiência não é ineficiência, que ela pode alterar a forma e o ritmo que as pessoas se desenvolvem, mas isso não significa que não se desenvolvam.
            A presença de uma pessoa com deficiência na sala de aula é algo desafiador para o professor, pois dependendo dos preconceitos que ele carrega, pode ter muita dificuldade de contribuir de forma significativa com esse aluno.  É preciso encarar a situação de forma profissional, respeitosa e verdadeira. Não é possível fazer de conta que se ensina e o aluno fazer de conta que aprende. É preciso olhar para esses alunos e enxergar possibilidades e não impossibilidades.
Segundo a teoria de Freud, quando nos sentimos desequilibrados em relação a uma situação usamos  mecanismos de  defesa. Em relação a intolerância à diferença, podemos usar a compensação como forma de negação: “Ele é paralítico, mas muito inteligente”; ou a simulação: “é cego, mas é como se não fosse” ou ainda a atenuação: “Podia ser pior”.
            Enquanto educadores, precisamos desconstruir estereótipos presentes na sociedade e reforçados pela mídia e não cair no senso comum e fazer, como traz a autora, “generalizações indevidas”, como por exemplo, o que é bom para um aluno com deficiência é bom para todos nas mesmas condições. Ou então, “contágio osmótico” deixando a criança afastada das outras temendo o contágio por aproximação.
            Precisamos encarar a presença de um aluno com deficiência com respeito e considerando os direitos que ele tem como qualquer outra criança e mais os direitos que ele tem enquanto pessoa com deficiência. Sem negligenciar suas limitações, suas incapacidades (restrições de atividades) e ter claro o que é possível, o que não é  e o que pode vir a ser e tentar eliminar as desvantagens (prejuízos sociais em relação aos outros) que ele teria.
            Durante esses vinte e dois anos que tenho como professora municipal dos anos iniciais eu tive duas experiências com alunos com deficiência e, nessas ocasiões sempre mantive uma preocupação com a verdadeira inclusão desses alunos na classe e no meu “campo ensinante”. Todos os alunos se envolviam para auxiliar no que fosse necessário, incentivar a participação, comemorar as superações, a autonomia deles. Eles não eram vistos como “coitadinhos” em nenhuma circunstância. Muitas histórias emocionantes eu teria para contar dessas duas experiências, mas posso dizer que eu busquei diferentes alternativas para que eles pudessem participar de todas as atividades, ou melhor, eu planejava atividades em que todos pudessem participar, e isso contagiava os alunos que se envolviam e vibravam juntos a cada novo desafio alcançado por todos. Conforme a autora, a criança com deficiência precisa ser vista “nem menos que, nem pior que.”

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

OFICINA DE ESCRITA DE TEXTO

Na última aula presencial do Seminário Integrador VI, tivemos o prazer de participar de uma oficina de escrita de texto com a professora Ivany Souza Ávila (foto).
De uma forma muito descontraída fomos "soltando" a escrita.
As propostas de trabalho seguiram a seguinte sequência, em colorido estão os meus escritos:
1) Escreva tudo o que lhe vier à cabeça sem muito pensar:
cansaço, família, escrita, rapidez, concentração, casa, sol, verão, pai, saúde, aluno, escola, oficina, ideal, colegas, prazer, fácil, aquecimento, auditório, texto.
2) Escreva palavras selecionando-as:
escrita, ideias, prazer, sofrimento, linguagem, palavras, leitura, conhecimento, dificuldade, começo 
3) Escrever uma frase, período ou oração:
A linguagem nos constitui, mas como é difícil para algumas pessoas escrever suas ideias.
O começo de um texto é a parte mais difícil da escrita.
para escrevermos com mais facilidade precisamos ter algum conhecimento sobre o que queremos escrever.
A escrita envolve sofrimento e alegria.
4) A partir de uma palavra dita pela professora, que outras nos faz lembrar:
Sonho: Felicidade, filhos
Docência: ensinar, direito, alunos
Curso: conclusão, formatura, determinação
Conceito: construção, desconstrução
Escrita: ideias, coerência, referência      
5) Que sentimentos, ou sensações nos desperta as seguintes situações ou que palavras lembramos:
Vento no Rosto: liberdade
Pisar na areia: natureza 
Água do mar nos pés: frio
Horizonte: sonho
Barulho da água do mar: relaxamento
Pôr do sol: gratidão
Sabor de amora: felicidade
Lágrima: emoção, sofrimento
Sorriso de uma criança: pureza 

Com essa oficina pude vivenciar o prazer de escrever descompromissadamente. Pensei de como seria interessante propor para os alunos essa escrita sem regras, sem exigências. Para soltar a escrita, para preparar para escritas mais estruturadas. Muitas vezes, os professores pedem que os alunos escrevam sobre situações que nunca vivenciaram, que não fazem o menor sentido e ainda estipulam o número de linhas que precisam escrever, tornando a escrita um sofrimento. nessa aula aprendi que escrever é um exercício que requer aquecimento, preparação. 


  

terça-feira, 19 de setembro de 2017

MODELOS EPISTEMOLÓGICOS

Na interdisciplina de Psicologia II do PEAD/2 da UFRGS estudamos sobre os modelos epistemológicos da Aprendizagem:  Empirismo, Apriorismo e Construtivismo. No quadro acima é possível perceber o que caracteriza cada um dos modelos.
O empirismo é uma teoria que parte da ideia que o indivíduo chega na escola como uma tábula rasa,  que nada sabe e que através de explicações  ele passa a adquirir conhecimento. O Apriorismo defende a ideia de que tudo é genético, o indivíduo já nasce com a aprendizagem adormecida, com o dom para determinadas coisas, e tudo o que a escola precisa fazer é oportunizar situações para que a aprendizagem desperte dentro dele. O construtivismo trabalha com a ideia da ação sobre o objeto de conhecimento. O professor atua como um provocador, um mediador das aprendizagens, mas que através do contato com o meio social, e interagindo com o objeto, constrói conhecimento. O sujeito é protagonista da sua aprendizagem.
O modelo epistemológico que sigo em meu trabalho de alfabetização é o construtivismo. Todo o trabalho pedagógico se baseia no processo do aluno. O erro é ponto de partida. O jogo está presente sempre. Os alunos interagem com o objeto de conhecimento, confrontam hipóteses, conversam, discutem, ensinam uns aos outros. Acredito que a escola não precisa ser chata, pode ser interessante e divertida sem perder a seriedade.É muito triste ver salas de aula com alunos enfileirados, ouvindo o professor, copiando, reproduzindo, em silêncio, imóveis.

domingo, 17 de setembro de 2017

APRENDIZAGEM



Na interdisciplina de Desenvolvimento e Aprendizagem sob o Enfoque da Psicologia II estamos estudando sobre o conceito de aprendizagem e como ela acontece. Ao ler o texto A Aprendizagem Humana: processo de construção, de  Fernando Becker e Tânia Marques reforcei a minha ideia de que a aprendizagem ocorre através da ação. Partindo de uma perspectiva da Epistemologia Genética da Psicanálise que considera a herança genética e do meio físico e social na gênese e no desenvolvimento do conhecimento e da afetividade humana.
Para que o indivíduo aprenda ele precisa desejar aprender, e o desejo pressupõe um sentido, uma necessidade, uma falta e envolve questões afetivas. Freud diz que se aprende por amor a alguém. O sujeito aprende na ação com o objeto de conhecimento, na interação com o meio físico, e aprende aquilo que é significativo para ele, além disso, esse objeto de conhecimento precisa estar dentro da Zona de Desenvolvimento Proximal, pois toda aprendizagem se dá apoiada em estruturas anteriormente construídas, ou seja, existem conceitos menos complexos que são pré-requisitos para a construção de conceitos mais complexos. Para Piaget aprender é criar estruturas de assimilação, é coordenar ações formando esquemas, é a tomada de consciência por parte do sujeito, possibilitando novas aprendizagens. “Cada novo patamar de desenvolvimento, conseguido devido ao processo de equilibração ou de abstração reflexionante e das aprendizagens anteriores, abre um mundo de possibilidades de aprendizagens que a escola deveria preencher em vez de insistir em transmitir verbalmente, conceitos inacessíveis à criança e ao adolescente e também, ao adulto.” Infelizmente, a escola ainda continua numa concepção da Psicologia Gestáltica (aprendizagem por insight) ou da Psicologia do Comportamento (estímulo –resposta), desconsiderando os conhecimentos que os alunos já trazem consigo. Com aulas expositivas, explicativas onde a ação é limitada à reprodução do que o professor diz ou escreve.
REFERÊNCIAS
BECKER, Fernando e MARQUES IWASKO, Tânia Beatriz. A Aprendizagem Humana: processo de construção.

domingo, 10 de setembro de 2017

O IMPACTO DAS REDES SOCIAIS NA SOCIEDADE



O vídeo de Leandro Karnal traz a ideia de transformação na forma como a sociedade passou a se comunicar. Ele não classifica essa transformação como melhor e nem pior, mas diferente. Nem tudo que aparece na internet é verdadeiro, porém, as pessoas selecionam as verdades afetivas de identidade, ou seja,  acreditam naquilo que tem a ver com o que elas, sua personalidade, suas crenças, é uma seleção nada objetiva. Conforme Hohne:  “Dizia um professor de filosofia: ‘a inteligência humana é lenta’. Isto pode significar que passamos por um lento processo intelectual até vencermos os obstáculos pessoais e culturais e alcançarmos a exata compreensão de uma mensagem.” Imagina as inúmeras mensagens que aparecem na internet, e  os vários compartilhamentos que as pessoas fazem, muito antes de compreender o que está sendo postado. É a geração do instantâneo, como menciona Baumann. Tudo é fluído, rápido e descartável.  Em função disso, postagem muito longas, argumentadas, baseadas em evidências, geralmente,  não são lidas. A escola precisa deixar de oferecer uma educação bancária onde oos alunos são meros receptores e os professores eternos explicadores  e transmissores de informações sem sentido para o aluno, trabalhar o pensamento crítico, fazendo com que reflitam sobra aquilo que aparece na mídia, nos livros, que se aprofundem, que se responsabilizem por aquilo que publicam.
Concordo que as redes sociais trouxeram muitos benefícios , pois é possível conversar, rever pessoas, pesquisar, aprender, comunicar de forma rápida e fácil, divulgar,  negociar, mas para as pessoas  que já tem uma certa idade ainda o mais importante é o contato pessoal, olho no olho, o que para os mais jovens, não tem a menor necessidade. Muitas vezes, eles nem conseguem falar pessoalmente o que dizem virtualmente.

Referência:


HÜHNE, Leda M. O ato de estudar. _____.
 

 O impacto das redes sociais na vida das pessoas – Leandro Karnal no Ponto a Ponto. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?time_continue=17&v=crlhoz7IVeY