segunda-feira, 2 de outubro de 2017

CROCODILOS E AVESTRUZES






O texto “Sobre crocodilos e avestruzes: falando de diferenças físicas, preconceitos e a sua superação” de Lígia Assumpção Amaral nos propõe uma reflexão acerca do que chamamos de anormalidade/deficiência. Nos leva a pensar na deficiência como expressão da diversidade da natureza e da condição humana e não mais como patologia.
            Os preconceitos que trazemos ao longo da vida sobre aqueles que são diferentes de nós, mas, sobretudo, sobre as pessoas com deficiência nos impedem de entender que a deficiência não é ineficiência, que ela pode alterar a forma e o ritmo que as pessoas se desenvolvem, mas isso não significa que não se desenvolvam.
            A presença de uma pessoa com deficiência na sala de aula é algo desafiador para o professor, pois dependendo dos preconceitos que ele carrega, pode ter muita dificuldade de contribuir de forma significativa com esse aluno.  É preciso encarar a situação de forma profissional, respeitosa e verdadeira. Não é possível fazer de conta que se ensina e o aluno fazer de conta que aprende. É preciso olhar para esses alunos e enxergar possibilidades e não impossibilidades.
Segundo a teoria de Freud, quando nos sentimos desequilibrados em relação a uma situação usamos  mecanismos de  defesa. Em relação a intolerância à diferença, podemos usar a compensação como forma de negação: “Ele é paralítico, mas muito inteligente”; ou a simulação: “é cego, mas é como se não fosse” ou ainda a atenuação: “Podia ser pior”.
            Enquanto educadores, precisamos desconstruir estereótipos presentes na sociedade e reforçados pela mídia e não cair no senso comum e fazer, como traz a autora, “generalizações indevidas”, como por exemplo, o que é bom para um aluno com deficiência é bom para todos nas mesmas condições. Ou então, “contágio osmótico” deixando a criança afastada das outras temendo o contágio por aproximação.
            Precisamos encarar a presença de um aluno com deficiência com respeito e considerando os direitos que ele tem como qualquer outra criança e mais os direitos que ele tem enquanto pessoa com deficiência. Sem negligenciar suas limitações, suas incapacidades (restrições de atividades) e ter claro o que é possível, o que não é  e o que pode vir a ser e tentar eliminar as desvantagens (prejuízos sociais em relação aos outros) que ele teria.
            Durante esses vinte e dois anos que tenho como professora municipal dos anos iniciais eu tive duas experiências com alunos com deficiência e, nessas ocasiões sempre mantive uma preocupação com a verdadeira inclusão desses alunos na classe e no meu “campo ensinante”. Todos os alunos se envolviam para auxiliar no que fosse necessário, incentivar a participação, comemorar as superações, a autonomia deles. Eles não eram vistos como “coitadinhos” em nenhuma circunstância. Muitas histórias emocionantes eu teria para contar dessas duas experiências, mas posso dizer que eu busquei diferentes alternativas para que eles pudessem participar de todas as atividades, ou melhor, eu planejava atividades em que todos pudessem participar, e isso contagiava os alunos que se envolviam e vibravam juntos a cada novo desafio alcançado por todos. Conforme a autora, a criança com deficiência precisa ser vista “nem menos que, nem pior que.”

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