terça-feira, 3 de abril de 2018

A Obra de Comênio


Eu encontro muitos elementos da pedagogia de Comênio no meu cotidiano escolar. Ele considerava como importante as necessidades e potencialidades dos alunos. Eu antes de iniciar meu planejamento, procuro traçar um diagnóstico da turma para saber os conhecimentos que os alunos já trazem, para então,  a partir daí,  poder fazer provocações adequadas.
Comênio traz em sua Didática que é necessário proporcionar aos alunos experiências, não apenas repetição de algo que alguém diz. Em minhas aulas os alunos são instigados a fazerem perguntas e buscamos juntos as respostas. Eles estão em processo de alfabetização e são incentivados a escreverem como pensam, e no confronto das hipóteses dos colegas, na interação com os componentes do grupo, fazem descobertas e constroem conhecimento. Uns ensinam aos outros, uma das características da Didática de Comênio.
De acordo com a Didática de Comênio as aulas precisam ser prazerosas, com músicas e brincadeiras para não se tornar muito cansativas. Trabalho diariamente com o lúdico, músicas e brincadeiras, jogos didáticos. Preocupo-me em propor aulas interessantes e divertidas, para que os alunos sintam prazer em estar na escola.
Outro fator fundamental da Didática de Comênio é a relação de afeto entre o professor e aluno. Procuro estabelecer um vínculo afetivo com todos os alunos para favorecer a aprendizagem. Conhecendo-o, sabendo de seus interesses e daquilo que é significativo para ele, fica mais fácil saber o momento certo de intervir, de acolher, de exigir. O aluno precisa perceber que ele e a aprendizagem dele são importantes para o professor, sem distinção de raça, cor, religião, situação econômica ou estrutura familiar, mais um aspecto importante também na Didática de Comênio.

terça-feira, 27 de março de 2018

"O menininho"


                                                 “O menininho”
Helen Buckley

Era uma vez um menininho bastante pequeno que contrastava com a escola bastante grande.
Quando o menininho descobriu que podia ir à sala caminhando pela porta da rua, ficou feliz. A escola não parecia tão grande quanto antes.
Uma manhã a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer um desenho.
“Que bom!”, pensou o menininho. Ele gostava de desenhar. Leões, tigres, galinhas, vacas, trens e barcos... pegou sua caixa de lápis de cor e começou a desenhar.
- Esperem, ainda não é hora de começar!
Ela esperou até que todos estivessem prontos.
- Agora, nós iremos desenhar flores.
E o menininho começou a desenhar bonitas flores com seus lápis rosa, laranja e azul.
- Esperem, vou mostrar como fazer.
E a flor era vermelha com o caule verde.
- Assim, disse a professora, agora vocês podem começar.
O menininho olhou para a flor da professora, então olhou para a sua flor. Gostou mais da sua flor, mas não podia dizer isto... virou o papel e desenhou uma flor igual a da professora. Era vermelha com o caule verde.
No outro dia, quando o menininho estava ao ar livre, a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer alguma coisa com o barro.
“Que bom!” pensou o menininho. Ele gostava de trabalhar com o barro. Podia fazer com ele todos os tipos de coisas: elefantes, camundongos, carros e caminhões. Começou a juntar e amassar sua bola de barro.
- Esperem, não é hora de começar!
Ela esperou até que todos estivessem prontos.
- Agora nós iremos fazer um prato.
“Que bom!”, pensou o menininho. Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos.
- Esperem, vou mostrar como se faz. Assim... Agora vocês podem começar.
E o prato era fundo. Um lindo e perfeito prato fundo.
O menininho olhou para o prato da professora, olhou para o próprio prato e gostava mais do seu, mas ele não podia dizer isso... amassou seu barro numa grande bola novamente e fez um prato fundo, igual ao da professora.
E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e a fazer as coisas exatamente como a professora. E muito cedo ele não fazia mais as coisas por si próprio.
Então, aconteceu que o menininho teve que mudar de escola... 


Esta escola era ainda maior que a primeira.
Ele tinha que subir grandes escadas até a sua sala...


Um dia a professora disse:
- Hoje nós vamos fazer um desenho.
“Que bom!”, pensou o menininho. E esperou que a professora dissesse o que fazer. Ela não disse. Apenas andava pela sala. Quando veio até o menininho falou:
- Você não quer desenhar?
- Sim. O que é que nós vamos fazer?
- Eu não sei, até que você o faça.
-Como eu posso fazer?
- Da maneira que você gostar.
- E de que cor?
- Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber qual o desenho de cada um?
- Eu não sei!
E começou a desenhar uma flor vermelha com um caule verde...


Ao ler esse texto fico pensando o quão grande é minha responsabilidade enquanto professora. 
Como é triste perceber que a curiosidade de uma criança foi aniquilada na escola. Os professores insistem em manter os alunos enfileirados, copiando e repetindo o que dizem. O personagem central é o professor, é ele dá a nota, dá o conteúdo, ele determina a cor e a forma dos desenhos das crianças. Todos na "forma" quietos, mansos, dando a resposta certa.
Comênio há mais de 300 anos já trazia uma proposta pedagógica que até hoje buscamos e não alcançamos na escola. É preciso abrir espaço às pergunrtas, à curiosidade, à criação.



terça-feira, 20 de março de 2018

O NOSSO IDEAL DE ESCOLA

Na Interdisciplina de Didática, Planejamento e Avaliação, foi proposto que pensássemos numa escola ideal em outro planeta. Partindo disso, nosso grupo começou a pensar em muitas possibilidades.Porém, o que observamos é que não conseguimos pensar numa escola ideal muito diferente da que já temos, porém com tudo que falta nela.
Será porque não conseguimos pensar em uma escola que rompa completamente com os padrões? Ou porque não conhecemos outras possibilidades e trabalhamos com o que conhecemos? Ou porque nos constituímos, enquanto estudantes e educadores dentro desse formato e não conseguimos fugir desse modelo?
Muitas perguntas me vieram à cabeça, mas isso depois que um colega fez uma reflexão semelhante, pois na hora da atividade, nem pensamos nisso.

terça-feira, 13 de março de 2018

PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DA LINGUAGEM


Na interdisciplina de Linguagem e Educação estudamos sobre a aquisição da linguagem de acordo com os teóricos Skinner, Chomsky e Vigotsky. Elaboramos o esquema acima com base nos textos lidos,

terça-feira, 6 de março de 2018

"Escolas Democráticas"

Iniciamos o Eixo VI do PEAD assistindo ao vídeo acima "Escolas Democráticas". O curta nos remete a muitas reflexões e o que é mais preocupante, na minha opinião, é que muitas escolas ainda seguem esse modelo. Uma escola castradora da curiosidade, onde o centro é o professor, ele fala, e só ele, ele dá a matéria, dá a nota e os estudantes em silêncio copiam, reproduzem o que o professor deu e não há espaço para perguntas e novas ideias.
Eu, enquanto professora, procuro assumir uma posição de mediadora das aprendizagens. os estudantes trabalham sempre em grupo, trocam ideias, aprendem uns com os outros confrontando hipóteses e a pergunta do aluno é norteadora do trabalho.
Paulo Freire, em seu texto "À sombra de uma mangueira" coloca que toda e qualquer aprendizagem parte de uma pergunta, de uma curiosidade, como podemos deixá-la fora de nossas aulas?

terça-feira, 28 de novembro de 2017

APLICAÇÃO DO MÉTODO CLINICO



A interdisciplina de Desenvolvimento e  Aprendizagem sob o enfoque da Psicologia II, solicitou que gravássemos um vídeo aplicando o método clínico, elaborado por Jean Piaget. 
Jean Piaget, trabalhou no Instituto Benet como auxiliar de pesquisa, aplicando provas de validação. Com isso, começou observar curiosidades sobre os erros apresentados: a) Respostas semelhantes em indivíduos com idades semelhantes; c) Justificativas semelhantes
Diante disso, começou a sentir a necessidade de outra metodologia para estudar e avaliar o raciocínio e não somente o erro; uma testagem capaz de verificar as estruturas do pensamento do sujeito. E elaborou o Método Clínico, mais flexível e melhor estruturado, inspirado na Psiquiatria, com o objetivo de seguir o pensamento do sujeito para conhecer sua forma de pensar
.
A experiência da aplicação do método clínico foi bem significativa para mim. Apliquei a prova de conservação de volume com meu filho de 9 anos, utilizando diferentes tipos de vidros e com líquido azul.
Uma das dificuldades que encontrei foi dominar os passos da prova, pois pensei que deveria ser tal qual mostra o vídeo do Ricardo postado no moodle, com todas aquelas transformações, optei por fazer um roteiro passos a passo e memorizá-lo.
Utilizei a pergunta "Tem a mesma quantidade?" na maioria das transformações,  por julgar que meu filho conhecia o conceito de quantidade. Porém, quando mudei a pergunta para "Tem o mesmo tanto de líquido?" a resposta dele mudou, pois para ele quantidade tinha a ver com a altura do líquido no vidro.  Observando o vídeo, penso que poderia utilizar menos e menores vidros, para facilitar as transformações. Acredito que consegui aplicar a prova sem induzir ou influenciar as respostas, o que é bem importante. Ele realizou quase todas as transformações, tornando a prova mais divertida e com maior participação por parte dele. Deixei bem claro para ele que não se tratava de certo ou errado, mas o importante era eu saber como ele pensava. Aprendi que a forma como formulamos a pergunta e o vocabulário que usamos são de fundamental importância para que a criança nos compreenda e possamos entender o seu pensamento. Estar ao lado da criança favorece a prova pois deixa a criança mais à vontade. Precisamos nos apropriar da teoria para que possamos agir com mais tranquilidade, fazendo as perguntas adequadas e para que esteja bem claro para nós o que queremos investigar. A pergunta "Quem tem mais?" não é adequada pois sugere à criança que algum lugar tem mais, sendo assim, o adequado é perguntar: "Tem o mesmo tanto?" ou "Ficou igual?" . É importante incentivar a criança a participar das transformações para que ela se sinta mais à vontade, mais participante e a prova se torna uma atividade mais lúdica.
É muito interessante entender como a criança pensa, entender sua lógica, para  sabermos para onde devemos direcionar o trabalho, com o intuito de contemplar seus esquemas de pensamento e propor provocações adequadas para que ela avance em seu processo de aprendizagem.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

TIPOS DE DEFICIÊNCIA

Após ler o texto "História, conceito e tipos de deficiência", e assistir ao vídeo  "Deficiências e Diferenças" com Izabel Maior e Benilton Bezerra, disponibilizados pela interdisciplina Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais do curso de Pedagogia na modalidade à distância (PEAD 2) da UFRGS destaco algumas ideias de Izabel Maior:
"A partir da consolidação dos estudos sobre deficiência na década de 60 (DINIZ, 2009) e do movimento de reivindicação  de direitos, da luta contra a opressão e pelo protagonismo das pessoas com deficiência, surgiu o modelo social da deficiência em contraposição ao modelo meramente biológico. O modelo social tem por foco as condições de interação entre a sociedade e as pessoas com limitações funcionais."
"O modelo social visa à transformação das condições sociais, mediante políticas públicas inclusivas."
"As limitações físicas, mentais, intelectuais ou sensoriais passam a ser consideradas atributos das pessoas. O meio é responsável pela deficiência imposta às pessoas. [...] não mais se construam obstáculos."
"A história e o novo conceito de deficiência mostram a evolução das sociedades para os respeito às diferenças individuais, ensejando que as pessoas com deficiência tenham acesso aos direitos, aos bens e serviços e participem na vida comunitária em igualdade com as demais pessoas."
É possível perceber que muitos avanços ocorreram em relação aos direitos da pessoas com deficiência. A sociedade lentamente vêm se modificando e criando políticas públicas de inclusão. Muito ainda temos que avançar, pois as pessoas ainda inferiorizam as pessoas com deficiência, criam rótulos. É preciso olhar para essas pessoas como sujeitos de história, com possibilidades, com alguma limitação, sim, mas com inúmeras potencialidades.
Eu já tive um aluno com deficiência, ele teve paralisia cerebral e ficou com os movimentos comprometidos, usava cadeira de rodas, falava com dificuldade. Nos dois juntos, fomos descobrindo formas de nos comunicar, as atividades eram adaptadas para ele, apesar da dificuldade na fala, muitas atividades ele fazia oralmente e os registros eram feitos no laboratório de informática. Foi um grande desafio para mim, pois no início eu não conseguia entender o que ele falava, então eu pedia que ele repetisse e que melhorasse a dicção, ele teve que ter paciência comigo também, pois diferente da mãe dele, que entendia tudo o que ele dizia, eu tive dificuldades. Os colegas, que estavam com ele a mais tempo, me ajudavam também, na tradução do que ele dizia. mas aos poucos fomos nos conhecendo e aprendendo juntos. Ele era muito esperto,  tinha sonho de ser paleontólogo. Depois de muitos anos, encontrei a mãe dele e perguntei se ele tinha conseguido ir adiante nos estudos, mas infelizmente, a mãe respondeu que não, que enquanto ele teve no ensino fundamental ele conseguiu acompanhar, mas depois, os professores já não tinham a mesma preocupação e o mesmo interesse de garantir sua aprendizagem e tudo ficou muito difícil, até que eles desistiram de ir adiante. Depois de ler o texto, eu penso, e o direitos desse meu aluno? Certamente não foram garantidos.
Referências:
MAIOR, Izabel. História, conceito e tipos de deficiência. Disponível em:
YOUTUBE. Deficiências e Diferenças com Izabel Maior e Benilton Bezerra.  Vídeo. Publicado em 24 de jun de 2016. Disponível em: