segunda-feira, 4 de abril de 2016

BRINCAR É CONTEÚDO









Tenho observado, nesses meus 22 anos de magistério, que os professores, cada vez mais, tem  deixado  de fora de seu planejamento o ato de brincar. Apresentam um discurso que para dar conta do conteúdo não é possível abrir espaço para atividades lúdicas. Essa concepção é preocupante, pois desconhecem que brincar também é conteúdo. Acredito que carreguem consigo as heranças das escolas que frequentaram, onde o brincar não fazia parte do currículo.
“ As brincadeiras possibilitam aproximar-se do mundo de forma leve e explorá-lo sem medo, desempenhando vários papéis a criança socializa e aprende.Cada tipo de brincadeira corresponde a uma gama de atitudes e habilidades. A manipulação de objetos favorece a exploração espacial e o desenvolvimento cognitivo.”
FERRARIS, Ana Oliveiro. Agitação que faz bem. Mente Cérebro. São Paulo: EDIOURO DUETTO EDITORIAL Ltda. Ano XVIII n° 216 jan/2011 (pp: 36-41)
              As atividades lúdicas além de tornar as aulas mais leves e divertidas, possibilitam aprendizagens importantes.
              Devido à insegurança instauradas nas grandes cidades, as crianças de hoje brincam sozinhas em suas casas, portanto, a escola assume um importante papel de propiciar aos alunos a brincadeira em grupo, só assim a brincadeira terá um efeito simbólico. “ O que mais conta é a dinâmica das relações durante as atividades lúdicas, o vínculo entre o conhecimento de si e do outro.”(CARNEIRO.Maria Angela Barbato).
              Na minha sala de aula, o brincar tem lugar garantido. Pois sempre soube da sua importância,  e com o material disponibilizado pela interdisciplina Ludicidade e Educação, ele assumirá um lugar de maior importância.
              Fico pensando e me angustia o fato e saber que minhas colegas, não dão a devida importância às atividades lúdicas e me questiono como fazer para sensibilizá-las. Nas reuniões pedagógicas semanais, sempre que é pertinente, compartilho o que tenho aprendido a respeito do assunto e proponho reflexões, mas percebo que não surte efeito significativo. Mas, seguirei fazendo a minha parte, para que mais crianças possam ter garantido o seu direito de brincar e que minhas colegas percebam que brincar é conteúdo importante do currículo.

segunda-feira, 28 de março de 2016

RECREIO

Para alguns alunos, o recreio é o melhor momento da escola, pois se divertem e brincam à vontade.
Muitas escolas, se preocupam em criar projetos de recreios dirigidos e tiram a liberdade da criança brincar. É importante que possam correr, pular, brincar de lutinhas, embora isso possa parecer perigoso, é importante para seu pleno desenvolvimento.
Nas reuniões pedagógicas, a equipe diretiva da escola onde trabalho está sempre trazendo como pauta  a indesejável correria do recreio. Sempre  digo a mesma coisa, se não for disponibilizado para as crianças, materiais e brinquedos, elas vão optar por brincar de Pega-Pega. Ela quer que as crianças durante o recreio não corram, sem saber o quanto isso é importante para seu pleno desenvolvimento e sem disponibilizar nenhum material ou brinquedo para que possam brincar. Quando compartilhei o que vínhamos estudando na UFRGS sobre isso, percebi o quanto ficou chocada, mas  acredito que tenha passado a olhar com outros olhos as correrias e lutas do recreio, pois esse assunto parou de entrar na pauta das reuniões.
FERRARIS, Ana Oliveiro. Agitação que faz bem. Mente Cérebro. São Paulo: EDIOURO DUETTO EDITORIAL Ltda. Ano XVIII n° 216 jan/2011 (pp: 36-41)
Para Anna Oliverio Ferraris, Professora de Psicologia do Desenvolvimento da Universidade La Sapienza, em Roma,   "Correr, simular lutas, esconder-se diverte as crianças e contribui para seu desenvolvimento, permitindo que se aproximem do mundo de forma leve, explorando-o sem medo e desempenhando vários papéis a criança socializa e aprende."


segunda-feira, 21 de março de 2016

DESPERTANDO A CRIANÇA QUE EXISTE EM NÓS

Na aula de Ludicidade e Educação, tivemos a oportunidade de brincar e despertar a nossa criança interior. Rimos muito, pois de certa forma, era engraçado nos ver brincando igual crianças. Foi super divertido brincar de "Adote um cachorro", fizemos um circulo com as cadeiras. Uma colega ficava atrás de uma cadeira de pé com as mãos para trás (a dona do cachorro) e outra, sentada na cadeira ( o cachorro). Uma das colegas que estava atrás da cadeira, ficaria sem cachorro, ou seja, sua cadeira ficaria vazia. essa colega que estava com a cadeira vazia, tinha que adotar um cachorro (colegas sentadas) das outras com um piscar de olhos. A colega que recebia o piscar de olhos, tinha que se levantar e vir sentar na cadeira vazia. Porém, a colega que era a dona do cachorro, que estava de pé atrás, deveria evitar encostando no cachorro com a mão. Caso a dona do cachorro conseguisse evitar que o cachorro fugisse, continuava com seu cachorro. Mas se o cachorro conseguisse fugir antes da dona encostá-lo, essa deveria adotar um novo cachorro, piscando o olho para as demais colegas(cachorros).
Vivenciar essa brincadeira, foi muito interessante, pois foi possível nos colocar no lugar das crianças e sentir o quanto é divertido e o quanto exigiu das alunas nessa simples brincadeira. Foi preciso atenção, habilidade de ser discreta para não ser percebido pelos donos dos cachorros, rapidez de reação ao perceber que alguém piscou o olho para nós, tivemos que lidar com a frustração de não conseguirmos segurar nosso cachorro, ou de não conseguir adotar um, foi possível lidar com o sucesso, quando conseguíamos atingir nosso objetivo e em meio a tudo isso, muita risada e diversão.
Brincar rejuvenesce, saí do campus me sentindo uma criança.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Início do Novo Semestre - Eixo III


 

Um novo semestre se inicia e com ele surgem novas expectativas. A ansiedade dá lugar à curiosidade, pois como já conheço o funcionamento do curso, parto de um novo lugar. Sinto que à medida que avanço no curso, vou tecendo a rede que sustenta minha prática pedagógica. Esse semestre, certamente, será muito prazeroso, pois é recheado de interdisciplinas que muito me agradam. Literatuta, Música, Ludicidade, Libras, Artes Visuais e o nosso conhecido Seminário Integrador.
Acredito que esse eixo, assim como todos os outros, acrescentará muito em minha prática docente. Sempre procurei estar aberta ao novo e àquilo que me torna uma profissional mais competente. Para ser um bom professor, não basta ter boa vontade e dedicação, é preciso conhecimento e compromisso. Por isso, aproveito cada novo conhecimento, não consigo ser a mesma professora que fui há anos atrás. O conhecimento nos compromete a sermos coerentes com a verdade.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

FELICIDADE NA ESCOLA




Conforme Snyders (1988, apud Carvalho,1999), para que o aluno tenha alegria na escola, para que esta seja significativa, tenha significado, lhe dê respostas às suas indagações, a escola deve partir da cultura dos alunos, de sua experiência imediata, pois ela já contem elementos válidos (relacionado com os conceitos de Snyders de progresso e presente) e, a partir daí, realizar a ruptura, apresentando-lhe a cultura elaborada, o conhecimento escolar, que o auxiliará a ver de forma diferente, ampliada, crítica, o que já se pressentia em sua experiência de forma assistemática, não acabada, plena. Ao realizar este movimento o aluno tem alegria presente, alegria que o forma e transforma, pois possibilita a compreensão da realidade e lhe dá impulso para agir.

Acredito que a felicidade na escola só é possível quando os alunos sentem-se respeitados em muitos aspectos: no seu saber, na sua cultura, na sua diferença. O professor tem que estar ciente da importância do papel que exerce para que a escola seja um lugar onde a alegria esteja presente e os alunos possam se sentir felizes.
A construção do conhecimento é algo que dá muito prazer. Descobrir a lógica das coisas, como  funcionam, aprender sobre algo,  atingir o objetivo de um desafio é algo que dá muito prazer e por isso, nós educadores, não podemos desconsiderar isso no nosso fazer pedagógico.
O meu relato é de uma experiência que repetidas vezes acontece em minhas turmas. O jogo de Veritek, um jogo de relações muito interessante que pode ser trabalhado com qualquer conteúdo. Pode ser individual, em duplas, ou em grupo. As peças do jogo devem ser colocadas em um lugar partindo de uma relação. Se todas as relações do jogo  estabelecidas pelo aluno estiverem corretas, as peças formam um mosaico que só é visto quando viram e abrem a caixa.  A alegria dos alunos ao constatarem que conseguiram concluir o jogo com sucesso é visível em suas reações. Eles vibram, comemoram, gritam, pulam. Na hora do brinquedo, muitos alunos escolhem esse jogo para jogar. Às vezes, precisam reposicionar as peças, repensar nas suas respostas, mas persistem e conseguem.
O lúdico sempre foi um meio de trazer alegria para a escola. Aprender brincando, além de ser divertido, torna o aprendizado significativo e prazeroso.
Dar espaço para a criação, à descoberta proporciona aos alunos momentos de muita felicidade. mas exige do professor uma boa dose de humildade, pois ele precisa sair de cena, parar de explicar e dar oportunidade para a descoberta, muito mais significativa que a reprodução.
Meus alunos criam histórias incríveis, muito antes de dominarem o código de escrita, pois valorizo as ideias muito mais do que a qualidade de escrita, e isso, faz com que se autorizem a escrever histórias fantásticas baseadas em seus desenhos, para compartilhar com seus colegas Muitos professores, só propõem escrita de texto após estarem alfabetizados e perdem grandes oportunidades de ensinar aos alunos como criar histórias e desenvolverem suas escritas através de seus textos.
Acredito que a felicidade na escola está na autoria, no protagonismo, no coletivo e na individualidade, no lúdico, no trabalho em grupo, no movimento, no sentimento de se sentir respeitado em todos os sentidos  e se sentir pertencente a esse espaço chamado escola.


Referência: 

CARVALHO, Roberto Muniz Barretto de. Georges Snyders: em busca da alegria na escola. Perspectiva, Florianópolis, v. 17, n. 32, p. 151-170, jul./dez. 1999.