Na interdisciplina Escola Cultura e Sociedade, do curso de Pedagogia EAD da UFRGS, foi proposto que lêssemos o artigo de Miguel Arroyo, "Ações Coletivas e Conhecimento: outras Pedagogias?"A princípio, achei um texto difícil de ser compreendido, li a primeira página, no mínimo, sete vezes para começar a entender o que ele estava querendo dizer. Ele usa termos diferentes, palavras que dizem muito além dos seus significados e para entendê-las, precisamos relacionar os significados para extrair a ideia que ele quer passar.Foi uma leitura que aos poucos fui digerindo e assimilando e encaixando as peças para formar uma ideia.
O padrão de poder sempre esteve relacionado com o padrão de saber na formação da sociedade. Na escola, os desiguais, os excluídos, os primitivos, afrodescendentes, indígenas, mestiços, não possuem os mesmos resultados que os ditos iguais. De uma maneira muito perversa e às vezes, silenciosa, a escola se encarrega de dizer, afirmar e reafirmar para esse indivíduo: "você não é capaz" "você não tem as condições necessárias para aprender", são grupos fadados ao fracasso.
A Educação emancipatória de Paulo Freire vem com tudo para escancarar a verdade e dizer "SIM, vocês são capazes, vocês têm o direito". Esse indivíduo tem um história, conhecimentos, cultura, saberes que precisam ser conhecidos, valorizados, levados em conta, trabalhados, respeitados, eles tem um grande significado para esses alunos e a escola não pode tratar isso como irrelevante.
Na qualidade de Educadores, precisamos considerar que essas ideias de que os ditos desiguais não são capazes, constituem a escola e que elas "assopram nossos ouvidos pelos corredores" o tempo todo e que temos que tomar consciência que o direito de aprender é pra todos, que temos que olhar para todos com olhar de "você é capaz" e não para a grande maioria que satisfaz nosso ego de bom professor. É para aquele que escancara a nossa incompetência, pois ele não aprende é que temos que direcionar nossa força máxima pedagógica, para que consigamos entender o seu universo, sua lógica, sua história, é aceitar, como diz Madalena Freire, abraçar ele com tudo o que ele traz para poder entender e daí sim, agir pedagogicamente e contribuir para aprendizagem desse aluno.
Nenhum comentário:
Postar um comentário