domingo, 3 de maio de 2015

AS INJUSTIÇAS SOCIAIS E O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO

Analisar o Projeto Político Pedagógico(PPP) da escola na qual atuo possibilitou-me muitas reflexões.
Muitas características da sociedade brasileira estão presentes no "Diagnóstico" do PPP, as desigualdades sociais, as discriminações, os avanços da tecnologia a globalização e o papel da escola diante de tudo isso.
Nós, enquanto educadores, precisamos estar atentos para que tamanhas injustiças não se reproduzam dentro da escola indiferentemente. Precisamos interferir, fazer com que os alunos reflitam, se coloquem no lugar do outro, mostrar para eles que podemos e devemos algumas vezes, pensar diferente do que a maioria e que com isso podemos promover transformações na forma de pensar e agir.
Aconteceu um fato na minha sala de aula que ilustra bem o que quero dizer:
Duas de minhas alunas A e B(limpinhas, cheirosas, rosinhas, penteadas,etc.) cantavam para outra aluna C (suja, pobre,despenteada, mal-cheirosa) "Piolhenta, ninguém te aguenta!" A aluna C estava muito chateada e já tinha até batido em uma delas que veio se queixar. Ao investigar o que tinha acontecido, como a briga tinha começado, descobri o tal fato. A menina C tinha saído para ir ao banheiro e eu chamei as alunas A e B diante da turma e perguntei: - Vocês gostariam que alguém dissesse isso a vocês? Vocês sabiam que a aluna C não tem uma mãezinha que cuida dela, da roupa e do cabelo dela assim como vocês? Como vocês acham que ela se sente ao ouvir isso de vocês? Vocês acham que ela gosta de ser assim? Vocês acham que se ela pudesse ser diferente ela não seria? O que vocês fariam se alguém dissesse isso pra vocês? Isso que vocês estão fazendo é maldade, vocês sabiam? Vocês são pessoas más? Vocês são capazes de respeitar a colega de vocês como um ser humano assim como vocês são?
Fiz todos esses questionamentos como forma de fazê-las refletir sobre a discriminação e falta de respeito com a colega que estavam fazendo. Percebi que elas ficaram chocadas com a minha intervenção, pois a aluna C e sua família são muito discriminados no bairro por serem uma família que vive na miséria, os pais são drogados e as crianças vivem na rua sujos e mal vestidos, portanto é senso comum na comunidade a repulsa, comentários maldosos e discriminações. 
Esse é o nosso papel, sair do senso comum, e mostrar para as crianças que existe uma palavra chamada RESPEITO às diferenças. Uma ação dessas é como uma gota no oceano no cenário geral, mas para aquela criança, para aquele indivíduo, essa ação pode fazer a diferença e é nisso que acredito, um mundo melhor e mais justo é feito de pequenas ações. Estou pesquisando para montar um projeto para valorizar essa menina, aumentar sua auto-estima e mudar o olhar da turma diante dela.

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