terça-feira, 26 de maio de 2015

O cérebro e as diferentes formas de perceber o mundo

Muitas vezes, passamos a mesma orientação para os alunos em sala de aula, mas cada aluno entende de um jeito diferente do outro e a impressão que se tem é que não falam a mesma língua.
Isso acontece, por que o cérebro de cada pessoa funciona de forma diferente, entende a partir de um lógica que pode ser diferente do que esperamos e se não formos extremamente claros e objetivos em nossas colocações, damos margens a muitas compreensões.
Fomos ensinados a darmos as respostas certas e a resposta certa era sempre uma só para os nossos professores. Com isso, temos dificuldades de aceitar as diversas hipóteses dos alunos como verdadeiras, por mais lógica que possa parecer.
Precisamos entender como o aluno entende, qual o processo de aprendizagem que ele está passando para podermos atingi-lo com nossas ensinagens. Cada pessoa percebe o mundo de um jeito e nós professores quanto mais conhecermos o jeito de cada aluno, mais fácil se tornará para atingirmos nossos objetivos com todos,
A escola, geralmente, segue a lógica dos conteúdos de forma linear e gradativa, não considerando os diferentes processos que acontecem dentro de uma turma, e assim, muitos alunos não aprendem, por não considerarem sua forma de entender.
Na aula de Corporeidade tivemos a oportunidade de vivenciar isso numa atividade muito interessante. O enunciado foi o mesmo para todas e os resultados foram todos diferentes!




domingo, 17 de maio de 2015

Projeto Político Pedagógico - Quem? O quê? Pra quê? Pra quem?

Na discussão que foi proposta da interdisciplina de Escola, Projeto Pedagógico e Currículo, falávamos sobre a construção do Projeto Político pedagógico nas escolas e concluímos que:
- Deveria ser um documento que norteasse toda a prática pedagógica do grupo de professores da escola e o que se vê é que muitos professores nunca  nem leram esse documento. Isso acontece, por várias razões, porque a equipe pedagógica da escola não se preocupa em situar cada educador nesse contexto escola, os professores não se interessam em saber quais as ideias que devem nortear seu fazer pedagógico e fica fazendo o que ele acha que é correto; Nunca se discute nas reuniões pedagógica o que esse documento tão importante traz.
- Na construção do PPP, existem as escolas que assumem um compromisso sério com essa tarefa e levam para a discussão do grupo de educadores, com fundamentação e seriedade, outras, as próprias equipes elaboram, fazem como se fossem só mais uma coisa só para constar, ninguém toma conhecimento e ninguém elabora e pensa em nada que faça parte da prática pedagógica da escola. Os professores, muitas vezes, agradecem por não precisar pensar em ideias que norteiem seu trabalho pedagógico, pois pensar e discutir é tão chato, teoria é coisa chata na prática a coisa é diferente. Sem se darem conta de que por trás de toda a prática tem uma teoria que a sustenta e que muitas vezes suas dificuldades existem por estarem pautadas em teorias do conhecimento que são ultrapassadas e que não dão bons resultados.
-A falta de tempo é fator determinante na construção de um PPP. Pois as demandas são muitas e as escolas não tem tempo para pensar o PPP, elaborar um documento que contemple as ideias de todos, para que todos se sintam integrantes desse processo. Sendo assim, muitas vezes, ele é elaborado por Equipes Diretivas sem muita reflexão e ideias dos demais educadores da escola que muito podem ter a contribuir.
Felizmente, na escola onde trabalho a construção do PPP foi feita de forma coletiva, porém foi elaborado em 2010. Eu me sinto integrante desse processo, mas eu sou a mais antiga da escola. Muitos professores, nunca viram o PPP da escola. Isso é falha da Equipe Diretiva que não distribui, que não propõe discussões. Acredito que quando o Professor entra na escola, a primeira coisa que ele tem que ter em mãos antes do caderno de chamada é o PPP,   e o Regimento da escola, e os Planos de Estudo para que ele possa ter uma mínima ideia do que se quer enquanto escola.
Mas a realidade é dura, diante da falta de professores, quando chega um professor, o grupo comemora a chegada e joga esse professor lá na sala como se jogasse na jaula dos leões e diz: Agora te vira.
Houve um tempo, em que na chegada de um professor, a equipe mostrava toda a escola, entregava os documentos que norteiam o trabalho, havia uma conversa, um planejamento, uma contextualização. mas nem todas as equipes tem essa sensibilidade e essa preocupação, infelizmente.

PADRÃO PODER = PADRÃO SABER

Na interdisciplina  Escola Cultura e Sociedade, do curso de Pedagogia EAD da UFRGS, foi proposto que lêssemos o artigo de Miguel Arroyo, "Ações Coletivas e Conhecimento: outras Pedagogias?"A princípio, achei um texto difícil de ser compreendido, li a primeira página, no mínimo, sete vezes para começar a entender o que ele estava querendo dizer. Ele usa termos diferentes, palavras que dizem muito além dos seus significados e para entendê-las, precisamos relacionar os significados para extrair a ideia que ele quer passar.Foi uma leitura que aos poucos fui digerindo e assimilando e encaixando as peças para formar uma ideia.
O padrão de poder sempre esteve relacionado com o padrão de saber na formação da sociedade. Na escola, os desiguais, os excluídos, os primitivos, afrodescendentes, indígenas, mestiços, não possuem os mesmos resultados que os ditos iguais. De uma maneira muito perversa e às vezes, silenciosa, a escola se encarrega de dizer, afirmar e reafirmar para esse indivíduo: "você não é capaz" "você não tem as condições necessárias para aprender", são grupos fadados ao fracasso.
A Educação emancipatória de Paulo Freire vem com tudo para escancarar a verdade e dizer "SIM, vocês são capazes, vocês têm o direito". Esse indivíduo tem um história, conhecimentos, cultura, saberes que precisam ser conhecidos, valorizados, levados em conta, trabalhados, respeitados, eles tem um grande significado para esses alunos e a escola não pode tratar isso como irrelevante.
Na qualidade de Educadores, precisamos considerar que essas ideias de que os ditos desiguais não são capazes, constituem a escola e que elas "assopram nossos ouvidos pelos corredores" o tempo todo e que temos que tomar consciência que o direito de aprender é pra todos, que temos que olhar para todos com olhar de "você é capaz" e não para a grande maioria que satisfaz nosso ego de bom professor. É para aquele que escancara a nossa incompetência, pois ele não aprende é que temos que direcionar nossa força máxima pedagógica, para que consigamos entender o seu universo, sua lógica, sua história, é aceitar, como diz Madalena Freire, abraçar ele com tudo o que ele traz para poder entender e daí sim, agir pedagogicamente e contribuir para aprendizagem desse aluno.

domingo, 3 de maio de 2015

AS INJUSTIÇAS SOCIAIS E O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO

Analisar o Projeto Político Pedagógico(PPP) da escola na qual atuo possibilitou-me muitas reflexões.
Muitas características da sociedade brasileira estão presentes no "Diagnóstico" do PPP, as desigualdades sociais, as discriminações, os avanços da tecnologia a globalização e o papel da escola diante de tudo isso.
Nós, enquanto educadores, precisamos estar atentos para que tamanhas injustiças não se reproduzam dentro da escola indiferentemente. Precisamos interferir, fazer com que os alunos reflitam, se coloquem no lugar do outro, mostrar para eles que podemos e devemos algumas vezes, pensar diferente do que a maioria e que com isso podemos promover transformações na forma de pensar e agir.
Aconteceu um fato na minha sala de aula que ilustra bem o que quero dizer:
Duas de minhas alunas A e B(limpinhas, cheirosas, rosinhas, penteadas,etc.) cantavam para outra aluna C (suja, pobre,despenteada, mal-cheirosa) "Piolhenta, ninguém te aguenta!" A aluna C estava muito chateada e já tinha até batido em uma delas que veio se queixar. Ao investigar o que tinha acontecido, como a briga tinha começado, descobri o tal fato. A menina C tinha saído para ir ao banheiro e eu chamei as alunas A e B diante da turma e perguntei: - Vocês gostariam que alguém dissesse isso a vocês? Vocês sabiam que a aluna C não tem uma mãezinha que cuida dela, da roupa e do cabelo dela assim como vocês? Como vocês acham que ela se sente ao ouvir isso de vocês? Vocês acham que ela gosta de ser assim? Vocês acham que se ela pudesse ser diferente ela não seria? O que vocês fariam se alguém dissesse isso pra vocês? Isso que vocês estão fazendo é maldade, vocês sabiam? Vocês são pessoas más? Vocês são capazes de respeitar a colega de vocês como um ser humano assim como vocês são?
Fiz todos esses questionamentos como forma de fazê-las refletir sobre a discriminação e falta de respeito com a colega que estavam fazendo. Percebi que elas ficaram chocadas com a minha intervenção, pois a aluna C e sua família são muito discriminados no bairro por serem uma família que vive na miséria, os pais são drogados e as crianças vivem na rua sujos e mal vestidos, portanto é senso comum na comunidade a repulsa, comentários maldosos e discriminações. 
Esse é o nosso papel, sair do senso comum, e mostrar para as crianças que existe uma palavra chamada RESPEITO às diferenças. Uma ação dessas é como uma gota no oceano no cenário geral, mas para aquela criança, para aquele indivíduo, essa ação pode fazer a diferença e é nisso que acredito, um mundo melhor e mais justo é feito de pequenas ações. Estou pesquisando para montar um projeto para valorizar essa menina, aumentar sua auto-estima e mudar o olhar da turma diante dela.