O texto À
sombra desta Mangueira" de Paulo Freire, disponibilizado pela interdisciplina de Filosofia da Educação do PEAD2 da UFRGS,traz ideias que remetem à reflexão. Ele coloca que a curiosidade espontânea e ingênua do cotidiano é muito diferente da curiosidade epistemológica, que acontece num contexto teórico, com rigor metódico e que produz conhecimento.
O autor fala da dialogicidade como
uma exigência da natureza humana fator fundamental para a construção do
conhecimento. Ele critica a educação bancaria,
tão presente nas escolas e que nada mais faz do que treinar os estudantes para
viver bem, sem criticar muito, sem refletir, pois não há nada mesmo a fazer.
Outro aspecto que trata o texto é
que os poderes públicos historicamente vem desrespeitando os professores, com
baixos salários, difíceis condições de trabalho, não dando possibilidade para que ele invista em sua formação
refletindo assim, em despreparo docente.
O professor que não ouve seus
alunos, que deposita os conteúdos que ele julga pertinentes, onde só ele fala,
onde só ele tem voz, num " anti-diálogo autoritário, ofendendo a natureza
do ser humano, seu processo de conhecer e contradiz a democracia".
"Os regimes autoritários são
inimigos da democracia" como falar de democracia sem dialogar? E dialogar
não é tagarelar é despertar a curiosidade epistemológica, é fazer com que os
alunos percebam que podem produzir conhecimento, que o que é impossível hoje,
amanhã poderá se tornar.
possível.
Enquanto educadores, precisamos ter
responsabilidade ética e política e não permitir que o espaço de sala de aula
seja castrador de curiosidade. Precisamos mostrar para os estudantes que tudo
pode ser diferente, que podemos sim, transformar nossa realidade e mudar o rumo
das coisas com responsabilidade, que o professor não é o único detentor do
saber e que enquanto aluno, ele pode produzir conhecimento ao invés de
reproduzir apenas aquilo que um dia alguém descobriu.
Referências:
FREIRE,
Paulo. À sombra desta mangueira. São
Paulo, 2000.Editora Olho D´água.
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