segunda-feira, 26 de setembro de 2016

TEMPOS NA ESCOLA - TEMPOS DE APRENDIZAGEM



               

“O tempo de levamos dizendo que para haver alegria na escola é preciso primeiro mudar  radicalmente o mundo é o tempo que perdemos para começar a inventar e viver a alegria.” (FREIRE, 1993. p.10)
               
               A escola precisa deixar de ser um espaço onde alunos e professores passam o tempo todo reproduzindo conteúdos pré-estabelecidos no currículo e que nada tem a ver com a vida dos estudantes. Já é tempo de ressignificar aquilo que se ensina/aprende na escola.
                Professores e alunos juntos, são capazes de construir conhecimento, na ação e na interação entre as partes (aluno/aluno; aluno/professor; professor/professor) na busca pelo conhecimento. O espaço escolar precisa deixar de ser um espaço para se cobrir carga horária e passar a ser um espaço de construção em busca das respostas pra as perguntas dos estudantes. É preciso rever o currículo e analisa-lo criticamente para definir quais deles são relevantes na vida dos estudantes e quais não acrescentam nada, pois não promovem aprendizagens.
                As atividades da sala de aula precisam visar a construção do conhecimento, a ação o protagonismo, a discussão, a pesquisa, a descoberta. Onde os professores possam planejar de forma coletiva, promovendo a interdisciplinaridade, refletir, dialogar, compartilhar.
                A escola pode e deve ser um espaço de construção do conhecimento onde o prazer de aprender esteja presente.
                 “É necessário rediscutir o que a escola entende por tempo de aprendizagem. Sabemos que sujeitos diferentes, com histórias diferentes aprendem de múltiplas formas, pois o aprendizado não se limita ao intelecto, envolve também as emoções, sentimentos dos sujeitos, sendo assim, outras fontes de aprendizado não são consideradas. Considerar o tempo na atualidade implica em que o olhar da escola se desloque do produto (aprovação/reprovação) para se identificar com o desenvolvimento, com o processo de aprendizagem que pode realizar.” SAMPAIO (2002)

Referências:
FREIRE, Paulo. Prefácio à edição brasileira. In: SNYDERS, Georges. Alunos felizes.São Paulo: Paz e Terra, 1993. p. 9-10.

SAMPAIO, Carmem Sanches. Educação brasileira e(m) tempo integral. In: COELHO, Lígia Marta C. da Costa, CAVALIERE, Ana Maria (Orgs.). Alfabetização e os múltiplos tempos que se cruzam na escola. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. p. 182-196.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

REPENSANDO O ENSINO DE CIÊNCIAS



                Na interdisciplina de Representação do Mundo pelas Ciências Naturais, foi sugerida a leitura do texto: Repensando o ensino de Ciências a partir de novas histórias da ciência,  de Russel Rosa. O texto trata de assuntos, ao meu ver,  bem importantes. Como por exemplo, a ressignificação das abordagens do ensino de Ciências.
                “O ensino de Ciências precisa estar apoiado em outras áreas do conhecimento para situar suas temáticas em contextos sócio-culturais produzidos historicamente.[...] é preciso transpor fronteiras disciplinares em que está organizado o currículo escolar.”
                “A descrição do tempo, do tempo, do espaço e das condições político-sociais, em que aparecem determinadas explicações científicas, nos permite não só entender com maior profundidade a lógica daquelas visões de mundo, mas também refletir sobre as condições sociais de produção de teorias contemporâneas.”
                O ensino de Ciências precisa abrir espaço para as perguntas dos alunos. Ouvi-los. Os alunos precisam aprender como fazer ciência analisando processos históricos da ciência..  Precisam saber como a ciência evoluiu historicamente e quais os interesses envolvidos, em que contexto histórico as coisas foram sendo criadas e pesquisadas.
Quando damos aos estudantes a oportunidade de aprender a fazer pesquisa para responder às suas perguntas uma infinidade de possibilidades surgem.
Conforme Russel Rosa: “Conhecer e analisar alguns processos históricos de constituição de teorias científicas também permite aos professores e aos estudantes:

  • Construir problemas de investigação;
  • Criar explicações hipotéticas;
  • Testar essas hipóteses;
  • Buscar informações adicionais através de consulta e fontes bibliográficas;
  • Situar-se em relação às novas informações;
  • Fazer previsões;
  • Criar situações experimentais;
  • Observar irregularidades e discrepâncias;
  • Descrever fenômenos naturais;
  • Comparar os dados estudados com os dados da literatura;
  • Coordenar conceitos de diferentes disciplinas;
  • Integrar diferentes informações;
  • Escolher critérios de classificação;
  • Tomar decisões;
  • Justificar
  • Construir relações entre fatos, fenômenos e leituras;
  • Construir ou completar modelos explicativos;
  • Emitir opiniões;
  • Confrontar-se com outras opiniões;
  • Divulgar conhecimento;
  • Encontrar argumento para defender as próprias ideias;
  • Aplicar novos conhecimentos a situações ou problemas novos.
    Seminário de apresentação dos trabalhos de pesquisa dos alunos .

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

CURIOSIDADE NECESSÁRIA PARA APRENDER



“No ensino esqueceram-se das perguntas, tanto o professor como o aluno esqueceram-nas, e no meu entender, todo conhecimento começa pela pergunta. Começa pelo que você, Paulo (Paulo Freire), chama de curiosidade.”
(FREIRE; FAUNDEZ. 1985)
                                                   
A escola abandonou as perguntas e parece seguir um caminho de verdades absolutas esquecendo que a ciência é produzida a partir de perguntas. Os professores levam as respostas para os alunos sem eles ter perguntado nada. O livro didático traz conhecimentos construídos por pesquisadores, mas na maioria das vezes esse conhecimento não é vinculado à vida dos estudantes e, com isso, vazio de significado e pouco interessante para eles.
            Na busca pelas respostas de nossas perguntas é que aprendemos. A escola precisa ouvir os alunos. O que querem aprender? Sobre o que desconhecem? Qual é a sua curiosidade? Qual é a sua pergunta? Os meus alunos tinham muitas perguntas interessantes.  Aprendi muitas coisas na nossa pesquisa sobre os touros. Eles queriam saber, entre tantas outras coisas, porque os touros não gostavam do vermelho. E assim, a pesquisa iniciou.
             Segundo FREIRE (1985), “a curiosidade do estudante, às vezes, pode abalar a certeza do professor. Por isso é que, ao limitar a curiosidade do aluno, a sua expressividade, o professor autoritário limita a sua também. Muitas vezes, por outro lado, a pergunta que o aluno, livre para fazê-la, faz sobre um tema, pode colocar ao professor um ângulo diferente, do qual lhe será possível aprofundar mais tarde uma reflexão mais crítica.”
                Na escola onde trabalho em Esteio, estamos começando com a metodologia Educar pela Pesquisa. Os professores abraçaram a causa e fizeram acontecer. A ação da coordenação pedagógica nesse processo foi fundamental.   O movimento que se vê dos alunos na escola mudou,  é com frequência que se grupos de alunos pesquisando, os alunos apresentam seus Projetos de Pesquisa em um seminário e são avaliados por todos professores.  Um espetáculo.
Referências:
- FREIRE, Paulo. FAUNDEZ, Antônio. Por uma Pedagogia da Pergunta. Paz e Terra. 3ª ed. Rio de Janeiro. 1985.


domingo, 4 de setembro de 2016

Início do IV Eixo - PEAD 2

Nesta semana, reiniciamos os estudos no PEAD 2 da UFRGS, iniciamos o Eixo IV. Avaliamos o semestre que passou, refletimos sobre os nossos avanços, dificuldades, reivindicações e sobre o eixo que se inicia. As interdisciplinas desse semestre serão Representação do Mundo pelas Ciências Naturais, Representação do Mundo pelos Estudos Sociais, Representação do Mundo pela Matemática e Seminário Integrador IV. O crescimento do grupo foi percebido  na apresentação no Workshop do Eixo III. Expressei a minha dificuldade em estruturar  a síntese reflexiva como foi solicitado. A professora do Seminário Integrador, Simone Bicca Charczuk, esclareceu que a intenção com a nova estrutura solicitada na síntese era avaliar a nossa capacidade de escrever considerando os conceitos trabalhados, porém, segundo a avaliação da equipe pedagógica da UFRGS, será necessário trabalhar melhor com as turmas o conceito de "Conceito". Mas que a intenção é provocar um crescimento na qualidade na nossa escrita.
Na avaliação que eu fiz da escrita da síntese, concluí que quanto mais qualificada e completa  as postagens semanais feitas  no portfólio, mais fácil fica escrever a síntese, inclusive, as tutoras já haviam nos alertavam disso, mas só na vivência e  na dificuldade que percebemos a importância dessa escrita ser semanal, bem fundamentada, com imagens, referências bibliográficas, reflexiva, conectando com a prática e com o que já aprendemos no curso.