A transferência é a nossa história, é a história do nosso sofrimento psíquico e levamos isso para a sala de aula, tanto o aluno, quanto o professor.
“O professor é um sujeito marcado por seus desejos inconscientes. É esse mesmo desejo que o impulsiona nessa função de mestre. Mas, seu sucesso, implicará na renúncia desse desejo. A renúncia do poder oferecido pelo “lugar” de professor, como alguém que controla seus alunos.”
O professor precisa abandonar esse lugar de poderoso e de detentor de todo o saber, para que os alunos se autorizem a expor seus diferentes saberes e suas hipóteses mesmo que incompletas ou equivocadas. O professor precisa “sair de cena” e assistir a cena de fora, dirigindo o espetáculo da aprendizagem, sem estar a frente explicando num monólogo que dá prazer somente a ele, alimentando seu narcisismo. Mas, sim, mediando, observando, avaliando, ouvindo as conversas e discussões dos alunos enquanto trabalham, para que possa perceber e entender o processo de aprendizagem de cada um e poder interferir, colaborar, provocar adequadamente.
“Matar o mestre para se tornar o mestre de si mesmo.”
O aluno abre mão de sua vontade para que o professor a ensine. Os alunos aprendem por que amam o mundo. Possuem o desejo de conhece-lo. O professor deve ser capaz de orientar esse amor em direção a objetos que deem prazer aos estudantes. O professor precisa fascinar seus alunos nessa relação que estabelecem , que é uma relação de amor, de fascínio pelo outro.
Para que isso aconteça é necessário conhecer os alunos, ouvi-los, propor atividades que eles possam se revelar enquanto seres pensantes, criativos, que amam e odeiam, que aprendem e como seres desejantes.
É importante que os professores
estejam atentos, pois na relação professor X aluno as transferencias
podem ocorrer em ambos. Sentimentos em relação aos alunos aparentemente
sem explicação como antipatia, irritação, implicância, podem ser frutos
de transferência feita pelo professor, relacionadas com sua infância,
suas vivências, todas a nível inconsciente.
Considerando esses aspectos, penso o quanto é importante que, enquanto professores, tenhamos conhecimento disso para podermos agir corretamente diante dos alunos e o quanto isso faz a diferença no processo ensino aprendizagem.
Pude entender o comportamento de alguns alunos da minha turma e a forma mais adequada de agir diante deles.
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