quinta-feira, 12 de novembro de 2015

DESEJO DE APRENDER E TRANSFERÊNCIA

Segundo Freud,  transferência é uma manifestação do inconsciente, que constitui, por isso mesmo, um bom instrumento de análise desse inconsciente. É toda uma série de acontecimentos psíquicos que ganham vida novamente, agora não mais como passado, mas como relação atual com a pessoa do médico ou professor. Assim, um professor pode tornar-se a figura a quem serão endereçados os interesses de seu  aluno porque é objeto de uma transferência. E o que se transfere são experiências vividas primitivamente com os pais. A ideia de transferência mostra que aquele professor em especial foi investido pelo desejo daquele aluno. E foi a partir desse  “investimento” que a palavra do professor é escutada. Tudo o que o aluno quer é que o professor “suporte” esse lugar que ele o colocou. O professor tem que ser flexível e ser capaz de lidar com esse jogo de desejos, caso contrario fica muito difícil para o estudante e para a relação.
A transferência é a nossa história, é a história do nosso sofrimento psíquico e levamos isso para a sala de aula, tanto o aluno, quanto o professor.
“O professor é um sujeito marcado por seus desejos inconscientes. É esse mesmo desejo que o impulsiona nessa função de mestre. Mas, seu sucesso, implicará na renúncia desse desejo. A renúncia do poder oferecido pelo “lugar” de professor, como alguém que controla seus alunos.”
O professor precisa abandonar esse lugar de poderoso e de detentor de todo o saber,  para que os alunos se autorizem a expor seus diferentes saberes e suas hipóteses mesmo que incompletas ou equivocadas. O professor precisa “sair de cena” e assistir a cena de fora, dirigindo o espetáculo da aprendizagem, sem estar a frente explicando num monólogo que dá prazer somente a ele, alimentando seu narcisismo. Mas, sim, mediando, observando, avaliando, ouvindo as conversas e discussões dos alunos enquanto trabalham, para que possa perceber e entender o processo de aprendizagem de cada um e poder interferir, colaborar, provocar adequadamente.
“Matar o mestre para se tornar o mestre de si mesmo.”
O aluno abre mão de sua vontade para que o professor a ensine. Os alunos aprendem por que amam o mundo. Possuem o desejo de conhece-lo. O professor deve ser capaz de orientar esse amor em direção a objetos que deem prazer aos estudantes. O professor precisa fascinar seus alunos nessa relação que estabelecem , que é uma relação de amor, de fascínio pelo outro.
Para que isso aconteça é necessário conhecer os alunos, ouvi-los, propor atividades que eles possam se revelar enquanto seres pensantes, criativos, que amam e odeiam, que aprendem e como seres desejantes.
É importante que os professores estejam atentos, pois na relação professor X aluno as transferencias podem ocorrer em ambos. Sentimentos em relação aos alunos aparentemente sem explicação como antipatia, irritação, implicância, podem ser frutos de transferência feita pelo professor, relacionadas com sua infância, suas vivências, todas  a nível inconsciente.

Considerando esses aspectos, penso o quanto é importante que, enquanto professores, tenhamos conhecimento disso para podermos agir corretamente diante dos alunos e o quanto isso faz a diferença  no processo ensino aprendizagem. 
Pude entender o comportamento de alguns alunos da minha turma e a forma mais adequada de agir diante deles.

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