domingo, 18 de novembro de 2018

FATORES QUE INTERFEREM NA ALFABETIZAÇÃO - Aspectos Neuronais

Fatores que interferem – aspectos neuronais
A aprendizagem da leitura e escrita é muito recente sob o ponto de vista da evolução. Por isso não é uma aprendizagem natural. Precisa ser cuidadosamente pensada para que ocorra com sucesso para a maioria dos alunos.
O que é aprender? Aprender é colocar na memória de longo prazo e poder recuperar a informação quando for necessário. É criar redes cada vez mais potentes.
Na figura anterior vemos o funcionamento da memória. Na sala de aula, ou em qualquer lugar, somos bombardeados por uma série de informações vindas do exterior (a voz do professor, a luminosidade da sala, os sons externos à escola, os sons dos demais alunos, a umidade do ar, a tonalidade da parede da sala de aula, etc.) Para aprender aquilo que nos interessa, temos que filtrar as informações relevantes e deixar passar somente as que nos interessam. Uma vez feito isso, essas informações vão para a memória de trabalho, que “retira” da memória de longo prazo, as memórias anteriores referentes a esse assunto novo, para poder processar essas novas informações. Após o processamento na memória de trabalho, que é extremamente rápida, mas que só processa mais ou menos umas 7 Unidades de Informação, essa informação passa para e memória de curto prazo. Depois, geralmente durante a fase de sono, essas novas informações, caso sejam consideradas importantes, voltam para a memória a longo prazo, de uma forma mais completa, integradas com as memórias anteriores, e formando uma rede neuronal mais potente, permitindo novas aprendizagens.
 Uma questão muito importante se refere ao PRAZER. Nosso sistema límbico é uma das arquiteturas mais antigas do nosso cérebro. Sua função principal é a de nos mantermos vivos. É essa estrutura interna do nosso cérebro que se encontra nesta figura. Ele vive nos regendo e fazendo fazer coisas das quais nem sabemos que estamos sendo comandadas para fazer. Por exemplo: ficar com o rosto voltado para a porta do elevador. Porque fazemos isso? Por que é a forma mais fácil de sair do mesmo se houver uma pane. Sentar junto às paredes da sala de aula, ou nas mesas de restaurante mais próximas às paredes. Como não vemos o que se passa nas nossas costas, nós nos sentimos protegidos, com as costas na parede. Mas se o restaurante for bufê livre, aí escolhemos as mesas mais próximas a ele, para poder comer o que quiser. É este sistema límbico que decide o que será colocado na memória de longo prazo. Se foi uma aprendizagem em que nós tivemos êxito, ele deixará entrar. Se foi algo que não conseguimos fazer, ou foi estressante, ele tenderá a não deixar entrar, nem essa, nem outras atividades parecidas. Por isso é muito importante fazer com que todos os alunos tenham êxito desde os primeiros dias de aula.(grifos meus)
Sob o ponto de vista neuronal, para que ocorra a aprendizagem da leitura e da escrita é preciso seguir um processo que tem os seguintes passos:
1) Aprendizagem fonológica inicial (ouvir e reconhecer sons do ambiente, ouvir e reconhecer uma sequência de sons, fazer rimas, separar um texto ouvido em frases, as frases em palavras, as palavras em sílabas)
2) Aprendizagem dos sons de todas as letras do alfabeto
 3) Aprendizagem fonológica mais avançada: reconhecer os fonemas iniciais, reconhecer os fonemas finais, excluir fonemas, incluir fonemas;
4) Reconhecer palavras básicas de dois fonemas;
 5) Reconhecer palavras básicas de três fonemas;
6) Construir (com letras móveis) palavras de quatro fonemas;
7) Converter fonema em grafema e introduzir a escrita (nome próprio, o mistério das letras)
8) Trabalhar regras contextuais (r/rr; c/qu- g/gu; i/e;u/o; nazalização, M antes de P e B
9) Regras contextuais complexas: acentuação
10) Estratégias para H inicial; J antes de E e I, X com som da /s/, /ch/, /z/, /ks/; S, SC, SS
Texto extraído de uma apresentação feita pela professora da Interdisciplina de Fundamentos da Alfabetização, Annamaria Píffero Rangel.

Tenho alguns alunos que parecem não reter informações. O que aprendem hoje, amanhã não sabem mais. As letras trabalhadas exaustivamente não são memorizadas. Uma das alunas não  vivencia experiências bem sucedidas na escola, tudo pra ela parece ser difícil, sempre a procura de respostas dos colegas para copiar, não apresenta um comportamento de auto-confiança. Ela nunca sabe porque não veio à aula no dia anterior, ou finge que não sabe, talvez por ter vergonha de dizer o real motivo, pois às vezes, não tem dinheiro para passagem de ônibus.É uma aluna que apresenta muitas faltas.
Penso que eu deva propor atividades em que ela possa ser bem sucedida, para poder ampliar sua memória de longo prazo.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

FATORES QUE INTERFEREM NA ALFABETIZAÇÃO - Aspectos Funcionais

"Para quê serve a escrita? Esta é a primeira pergunta que a criança precisa saber responder para poder se interessar em aprender a ler e a escrever. A escrita serve para divertir (quando lemos histórias, poesias, rimas, piadas, etc.), para informar (quando lemos documentários sobre a vida dos animais, sobre as plantas, sobre ecossistemas, etc.), para comunicar (jornais, cartas, e-mails, fax, etc.), aprender coisas novas, e para continuar aprendendo pelo resto da vida. Neste aspecto, a criança da classe média e alta costuma levar vantagem sobre as demais pois no seu ambiente os diversos portadores de textos são utilizados, são explicados. Ela vê parentes próximos lendo um jornal, escolhendo o filme que assistirão através de consulta na internet ou pelo jornal; discutindo uma bula de remédio; procurando nela a especificação de quantos ml devem tomar, ou dar para a criança; vendo os irmãos e primos mais velhos realizando jogos de salão onde é preciso ler as instruções, etc., etc., etc. A função do professor, tanto da pré-escola como do ensino fundamental é fazer com que todas as crianças tenham essas vivências."
Texto extraído do Power Point apresentado pela professora Annamaria Píffero Rangel na aula de Fundamentos da Alfabetização PEAD/2 2015/2

Na escola, elaboramos um projeto "Sacola Viajante" que tem como objetivo estimular as vivências de leitura em família. Consiste em uma sacola com três livros de literatura Infantil e uma pasta com a explicação do projeto, folhas de escrita e desenhos, material de pintura( lápis de cor e giz de cêra). A cada dois dias é feito um sorteio e um aluno leva a sacola para casa, lê com a família e registra com a família como foi essa leitura.
Todos ficam ansiosos para serem sorteados, mas como isso é recebido na casa dos estudantes, ficamos sabendo através de seus relatos. Um dos alunos disse depois de três dias de atraso na entrega que ninguém de sua família queria ler com ele. Existem famílias que não comparecem na escola nem na entrega de avaliações para saber como está o desempenho de seu filho. Eu recebi avaliações que deveriam ter sido entregues no ano passado, para entregar aos pais durante esse ano, mas as avaliações de alguns só acumulam no armário. Assim, dá para ter uma ideia do descaso que alguns pais tem com relação à vida escolar de seus filhos.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

FATORES QUE INTERFEREM NA ALFABETIZAÇÃO - Aspectos Sociológicos

Revisitando a Interdisciplina "Fundamentos da Alfabetização" que cursamos em 2015, destaco essa aula em que a professora Annamaria Píffero Rangel expôs de forma muito clara e objetiva fatores que interferem na alfabetização



ASPECTOS SOCIOLÓGICOS
Na minha turma percebo que  alunos que mais apresentam dificuldades na alfabetização são oriundos de classes populares onde materiais de leitura e escrita pouco circulam em suas residências. Suas famílias não possuem condição de comprar livros e nem vêem importância nisso, uma vez que não sabem ler. "Se quiserem ler livros, que retirem na biblioteca". Possuem pouca ou nenhuma vivência de leitura e escrita. Iniciaram o 1º ano do Ensino Fundamental sem saber a primeira letra de seu nome, o que considero também uma falha da pré-escola.
Isso, consequentemente, exige mais de mim enquanto professora do 1º ano, faço leituras diárias na sala de aula, deixo disponíveis para os alunos livrinhos, gibis, jogos de leitura etc. como forma de compensar minimamente esse pouco contato que alguns alunos têm com materiais de leitura.
Outro dado a se levar em conta é o número elevado de faltas. As famílias não se privam de nada para garantir a presença na escola, se tem que dar uma volta no centro da cidade, cortar cabelo, fazem compras, pagar conta, passear na casa da vó, optam por fazer no horário de aula, sem nenhuma restrição, por mais que eu diga o quanto isso é importante.]Talvez deva voltar a dar figurinhas a quem não apresenta nenhuma falta na semana.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Consciência Fonológica - Nível Predominante Oral

Revisitando a Interdisciplina de Linguagem e Educação reli os textos de Moojen disponibilizados. Durante essa nova leitura, percebi as inúmeras possibilidades de trabalhar a consciência fonológica e ortográfica com meus alunos. A relação grafema x fonema é fundamental para que as crianças se alfabetizem.
Moojen Consciência Fonológica e ortográfica- Método de trabalho para conversor grafema fonema pág.136


Selecionei algumas atividades,  para trabalhar com os alunos, com o objetivo de melhorar a consciência fonológica, pois esse é um aspecto que me preocupa, pois percebo que alguns alunos conhecem todas letras do alfabeto, mas ainda não fazem relação com o seu fonema e não avançam na escrita.
Moojen Consciência Fonológica e ortográfica- Método de trabalho para conversor grafema fonema pág.138

Moojen Consciência Fonológica e ortográfica- Método de trabalho para conversor grafema fonema pág.139

Estarei relatando posteriormente como foi o desempenho dos alunos nessas atividades.

domingo, 11 de novembro de 2018

Consciência Fonológica - Nível associado à escrita

Apesar de sempre fazer um amplo trabalho com o nome no inicio do ano, Mojen traz sugestões que eu desconhecia, que possivelmente, ajudarão no processo dos alunos.

Achei muito interessante esse quadro abaixo com o trabalho específico de uma palavra.