O texto
“Sobre crocodilos e avestruzes: falando de diferenças físicas, preconceitos e a
sua superação” de Lígia Assumpção Amaral nos propõe uma reflexão acerca do que
chamamos de anormalidade/deficiência. Nos leva a pensar na deficiência como
expressão da diversidade da natureza e da condição humana e não mais como
patologia.
Os preconceitos que trazemos ao
longo da vida sobre aqueles que são diferentes de nós, mas, sobretudo, sobre as
pessoas com deficiência nos impedem de entender que a deficiência não é ineficiência,
que ela pode alterar a forma e o ritmo que as pessoas se desenvolvem, mas isso
não significa que não se desenvolvam.
A presença de uma pessoa com
deficiência na sala de aula é algo desafiador para o professor, pois dependendo
dos preconceitos que ele carrega, pode ter muita dificuldade de contribuir de
forma significativa com esse aluno. É
preciso encarar a situação de forma profissional, respeitosa e verdadeira. Não
é possível fazer de conta que se ensina e o aluno fazer de conta que aprende. É
preciso olhar para esses alunos e enxergar possibilidades e não
impossibilidades.
Segundo a
teoria de Freud, quando nos sentimos desequilibrados em relação a uma situação
usamos mecanismos de defesa. Em relação a intolerância à diferença,
podemos usar a compensação como forma de negação: “Ele é paralítico, mas muito
inteligente”; ou a simulação: “é cego, mas é como se não fosse” ou ainda a
atenuação: “Podia ser pior”.
Enquanto educadores, precisamos
desconstruir estereótipos presentes na sociedade e reforçados pela mídia e não
cair no senso comum e fazer, como traz a autora, “generalizações indevidas”,
como por exemplo, o que é bom para um aluno com deficiência é bom para todos
nas mesmas condições. Ou então, “contágio osmótico” deixando a criança afastada
das outras temendo o contágio por aproximação.
Precisamos encarar a presença de um
aluno com deficiência com respeito e considerando os direitos que ele tem como
qualquer outra criança e mais os direitos que ele tem enquanto pessoa com
deficiência. Sem negligenciar suas limitações, suas incapacidades (restrições
de atividades) e ter claro o que é possível, o que não é e o que pode vir a ser e tentar eliminar as desvantagens
(prejuízos sociais em relação aos outros) que ele teria.
Durante esses vinte e dois anos que
tenho como professora municipal dos anos iniciais eu tive duas experiências com
alunos com deficiência e, nessas ocasiões sempre mantive uma preocupação com a
verdadeira inclusão desses alunos na classe e no meu “campo ensinante”. Todos
os alunos se envolviam para auxiliar no que fosse necessário, incentivar a
participação, comemorar as superações, a autonomia deles. Eles não eram vistos
como “coitadinhos” em nenhuma circunstância. Muitas histórias emocionantes eu
teria para contar dessas duas experiências, mas posso dizer que eu busquei
diferentes alternativas para que eles pudessem participar de todas as
atividades, ou melhor, eu planejava atividades em que todos pudessem
participar, e isso contagiava os alunos que se envolviam e vibravam juntos a
cada novo desafio alcançado por todos. Conforme a autora, a criança com
deficiência precisa ser vista “nem menos que, nem pior que.”