segunda-feira, 30 de outubro de 2017

PRECONCEITO RACIAL

Na interdisciplina Questões Étnico-Raciais na Educação: Sociologia e História do PEAD 2 da UFRGS, foi solicitado a produção de um vídeo onde apresentássemos uma personalidade da comunidade escolar que tivesse alguma história de luta contra o preconceito racial, social de gênero, etc. e que tivesse uma participação significativa na comunidade. Com isso, sugeri para o meu grupo que fizéssemos uma apresentação sobre a Simone, a mãe de uma aluna, que está sempre ajudando as crianças da comunidade, ela participa de um grupo contra a violência doméstica, participa do Conselho Escolar da escola e tem uma vida política muito ativa.
O meu grupo aceitou e partimos para a gravação. Pensamos em gravar o vídeo na comunidade, mas os ruídos atrapalharam um pouco o resultado final. 
Foi uma grande satisfação fazer o vídeo com a Simone, tenho uma grande admiração por ela e sei o quanto ela valoriza e reconhece o meu trabalho também. 
Umas das falas delas que nos chamou atenção foi: "As pessoas preconceituosas precisam ser acarinhadas". Ela coloca isso como uma falta de amor no interior das pessoas que discriminam e que se sentem superiores por algum motivo. 
Um dos comentários dela depois de publicarmos o vídeo foi:
Simone Da Silva Pinto É imensurável a satisfação que tive quando do teu convite para que participasse do teu trabalho, eu é que sou tua fã Jaqueline Pereira és MIL como alfabetizadora todas nós mães que passamos por ti na alfabetização de nossos filhos, e digo nos mães pela tua preocupação conosco no início da transição de nossos bebês super protegidos a seres independentes. Professora Jaque tenho certeza que a tua história será levada adiante pelos alunos que tiveram o privilégio de te conhecer . Beijos e um abraço bem apertado !

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A CEGUEIRA DO CONHECIMENTO: O ERRO E A ILUSÃO - Edgar Morin


Todo o conhecimento um dia foi fruto de uma construção e reconstrução do pensamento, de uma descoberta, de um ponto de vista, por meio de uma linguagem, de uma interpretação e por isso, sujeito ao erro. O autor coloca que nenhum conhecimento está acabado, tudo pode ser contestado e questionado, não há conhecimento que em algum grau não esteja ameaçado pelo erro e pela ilusão.
A educação do “futuro” precisa abrir espaço para novas perguntas, para questionar o que está posto, e para isso não podemos, na qualidade de educadores, ensinar verdades absolutas, fechadas, como se fôssemos os detentores do saber, ao contrário abrir espaço para questionamento acerca do conhecimento. Assim como questionar o nosso saber, até que ponto nossas verdades ainda são válidas. Isso provoca insegurança, medo, mas ao mesmo tempo é desafiador pois nos leva a descobrir novas maneiras, a nos colocar como aprendente o tempo todo, nos leva a assumir um lugar de pesquisador e estar aberto à novas questões e consequentemente à novas aprendizagens.
Achei muito interessante o que o autor traz sobre a afetividade, por que ela é importante para a aprendizagem, mas ao mesmo tempo ela pode nos levar ao erro na interpretação do conhecimento.

Referência:
MORIN, Edgar. As cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão. In: Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. 5 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

ÉTICA E MORAL



O texto disponibilizado e o vídeo de Marcia Tiburi traz com clareza e de forma muito simples de ser compreendido os conceitos de ética e moral.  Segundo ela, a ética diz respeito ao modo como vivemos uns com os outros. Tem a ver com a minha reflexão acerca daquilo que faço em relação às outras pessoas. A moral é aquilo que está consolidado como certo e errado dentro da sociedade.
Nós como educadores temos um papel muito importante para a construção de uma sociedade mais ética e justa. Pois na relação com os alunos e na forma como lidamos e interferimos nas situações cotidianas temos a oportunidade de fazê-los pensar nas suas ações. Inclusive, na forma como, enquanto educadores, nos comportamos diante do aluno, pois somos referência, como posso exigir de meu aluno que me respeite se eu não o respeito como indivíduo, como posso cobrar que não chegue atrasado se eu estou constantemente chegando atrasado, seja no início da aula ou na volta do recreio. Precisamos incentivar a reflexão e discussão sobre aquilo que está consolidado, pois não é por que todo mundo faz algo errado que eu tenho que fazer também.
“Antigamente as relações entre a escola e as culturas eram no máximo duas: ou a escola como reprodutora de uma cultura dominante ou a escola forçando uma luta contra a cultura hegemônica. Hoje a escola deveria ser vista como o espaço de cruzamento de culturas, produzindo, criando novas práticas culturais para além das normas e das imposições, isto é, uma escola que reproduz, mas que também produz; onde ‘as diferentes culturas que se entrecruzam no espaço escolar impregnam o sentido dos intercâmbios e o valor das transações
em meio às quais se desenvolve a construção de significados de cada divíduo’ (PérezGómez, 2001, p.16).”
Referências:
HERMANN, Nadja. Ética: a aprendizagem da arte de viver. Educ. Soc., Campinas, vol. 29, n. 102, p. 15-32, jan./abr. 2008. Disponível em:http://www.cedes.unicamp.br Acesso em 16 de setembro 2017.
YOUTUBE. Filosofia e ética, com Márcia Tiburi. Saraiva. Vídeo. Publicado em 24 de janeiro de 2017. Disponível em:https://youtu.be/9jsRUafEV9A Acesso em 16 de setembro 2017.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

ESCOLA COMO LABORATÓRIO E NÃO COMO AUDITÓRIO



Fernando Becker é Professor de Psicologia da Educação na UFRGS. É destaque na pesquisa na área da Educação no Brasil. Estuda duas grandes referências que contribuem para a Pedagogia que é Jean Piaget e Paulo Freire.
Becker defende a ideia de que a aula tem que ser mais laboratório e menos auditório. Onde os alunos possam experimentar, elaborar hipóteses, usar a intuição, fazer perguntas. Saindo da monotonia e inércia de reproduzir tudo o que o professor acha que ensina, tão comum nas escolas.  O professor precisa conhecer os processos de conhecimento e aprendizagem dos alunos para poder planejar para um aluno real, ao invés de planejar para um aluno irreal.

No vídeo Becker faz uma análise de alguns textos de Jean Piaget; Aprendizagem e Conhecimento (1959); Desenvolvimento e Aprendizagem (1972). Piaget situa a aprendizagem na equilibração, nas palavras de Becker, na frustração reflexionante. O desenvolvimento é um processo espontâneo ligado ao processo global da embriogênese. O desenvolvimento explica a aprendizagem e se relaciona com a totalidade das estruturas do conhecimento. O desenvolvimento possibilita a aprendizagem. Becker critica a escola que tenta ensinar aritmética às crianças que ainda não possuem a conservação do número construída. Ele coloca que a função da escola é aumentar a capacidade de aprender e não de acumular conteúdos. A escola precisa ser mais laboratório e menos auditório. Onde os alunos sejam instigados a pensar a construir conhecimento pela ação e interação e não a reproduzir conhecimentos que não fazem o menor sentido.

Referências: 

Vídeos disponibilizados pela Interdisciplina Desenvolvimento e Aprendizagem sob o Enfoque da Psicologia II disponíveis em:

https://www.youtube.com/watch?v=mFbGcIopct4, acesso em 09/10/2017
https://www.youtube.com/watch?v=xjfKBGIHPjs, acesso em 09/10/2017
 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

CROCODILOS E AVESTRUZES






O texto “Sobre crocodilos e avestruzes: falando de diferenças físicas, preconceitos e a sua superação” de Lígia Assumpção Amaral nos propõe uma reflexão acerca do que chamamos de anormalidade/deficiência. Nos leva a pensar na deficiência como expressão da diversidade da natureza e da condição humana e não mais como patologia.
            Os preconceitos que trazemos ao longo da vida sobre aqueles que são diferentes de nós, mas, sobretudo, sobre as pessoas com deficiência nos impedem de entender que a deficiência não é ineficiência, que ela pode alterar a forma e o ritmo que as pessoas se desenvolvem, mas isso não significa que não se desenvolvam.
            A presença de uma pessoa com deficiência na sala de aula é algo desafiador para o professor, pois dependendo dos preconceitos que ele carrega, pode ter muita dificuldade de contribuir de forma significativa com esse aluno.  É preciso encarar a situação de forma profissional, respeitosa e verdadeira. Não é possível fazer de conta que se ensina e o aluno fazer de conta que aprende. É preciso olhar para esses alunos e enxergar possibilidades e não impossibilidades.
Segundo a teoria de Freud, quando nos sentimos desequilibrados em relação a uma situação usamos  mecanismos de  defesa. Em relação a intolerância à diferença, podemos usar a compensação como forma de negação: “Ele é paralítico, mas muito inteligente”; ou a simulação: “é cego, mas é como se não fosse” ou ainda a atenuação: “Podia ser pior”.
            Enquanto educadores, precisamos desconstruir estereótipos presentes na sociedade e reforçados pela mídia e não cair no senso comum e fazer, como traz a autora, “generalizações indevidas”, como por exemplo, o que é bom para um aluno com deficiência é bom para todos nas mesmas condições. Ou então, “contágio osmótico” deixando a criança afastada das outras temendo o contágio por aproximação.
            Precisamos encarar a presença de um aluno com deficiência com respeito e considerando os direitos que ele tem como qualquer outra criança e mais os direitos que ele tem enquanto pessoa com deficiência. Sem negligenciar suas limitações, suas incapacidades (restrições de atividades) e ter claro o que é possível, o que não é  e o que pode vir a ser e tentar eliminar as desvantagens (prejuízos sociais em relação aos outros) que ele teria.
            Durante esses vinte e dois anos que tenho como professora municipal dos anos iniciais eu tive duas experiências com alunos com deficiência e, nessas ocasiões sempre mantive uma preocupação com a verdadeira inclusão desses alunos na classe e no meu “campo ensinante”. Todos os alunos se envolviam para auxiliar no que fosse necessário, incentivar a participação, comemorar as superações, a autonomia deles. Eles não eram vistos como “coitadinhos” em nenhuma circunstância. Muitas histórias emocionantes eu teria para contar dessas duas experiências, mas posso dizer que eu busquei diferentes alternativas para que eles pudessem participar de todas as atividades, ou melhor, eu planejava atividades em que todos pudessem participar, e isso contagiava os alunos que se envolviam e vibravam juntos a cada novo desafio alcançado por todos. Conforme a autora, a criança com deficiência precisa ser vista “nem menos que, nem pior que.”