domingo, 7 de junho de 2015

Corporeidade no âmbito da aprendizagem

Corporeidade no âmbito da aprendizagem
Todos os seres humanos são constituídos de um corpo físico, que se movimenta, que percebe o mundo a sua volta através dos sentidos, que se relaciona com seu semelhante usando a linguagem, capaz de aprender e transformar a realidade, inserido num meio cultural com crenças e valores diversos, que possui sentimentos e emoção. Quando falamos corporeidade, consideramos a interligação de todos esses elementos juntos.
A corporeidade de cada indivíduo é única. Cada um percebe o mundo de um jeito. A corporeidade é o jeito de ser de cada um.
A pele talvez seja o órgão mais importante dos seres humanos. Não sobrevivemos se não tivermos pele. “Durante o desenvolvimento inicial do embrião a sua camada externa, a ectoderme, volta-se para dentro formando o início do tubo neural por onde formar-se-á a medula e o bulbo cerebelar. Pode-se dizer que o sistema nervoso é uma parte escondida da pele embrionária ou que a pele é a versão exposta do sistema nervoso.”
Não foi à toa que no filme Inteligência Artificial o “Protocolo de Inicialização” do androide que a partir daquele momento passou a possuir uma corporeidade, era feito com um toque na nuca, palavras ditas olhando nos olhos.
Na escola, precisamos perceber nossos alunos como diferentes corporeidades, onde cada um tem um corpo, que interage com o meio de diferentes maneiras, pois apresenta uma sensibilidade, uma emoção diante das diferentes situações, onde cada um tem uma história de vida com diferentes valores simbólicos. Não podemos desconsiderar que nós também apresentamos uma corporeidade com todos esses elementos, que se relaciona com a corporeidade de cada aluno e que dependendo da qualidade dessa relação, pode ou não, ser facilitadora de aprendizagens.
O mesmo enunciado é percebido e entendido de diferentes maneiras pelos alunos. Tivemos a oportunidade de vivenciar isso na aula presencial de Corporeidade com o professor Clézio. Ele fez um enunciado dando uma ordem e todas as alunas entenderam e agiram de forma diferente. Não podemos esperar que todos os alunos nos apresentem resultados iguais, que entendam do mesmo jeito. Precisamos considerar que somos todos diferentes e que ser diferente não é defeito. É comum nos incomodarmos com os alunos que são muito lentos, ou muito rápidos, com os alunos que são agitados e não param, com os alunos que demoram pra entender o que dizemos ou entendem de forma diferente do que gostaríamos. Precisamos acolher os alunos com toda a sua “bagagem”, aceita-los verdadeiramente, sem tentar “endireita-lo” como se tivesse um padrão a seguir, mas conseguir ensiná-lo com tudo que ele traz, com a sua corporeidade.
Nós professores, precisamos estar cientes de que as não aprendizagens podem estar  ligadas à fatores diferentes dos cognitivos. O ser humano apresenta uma corporeidade que trabalha interligada numa complexa trama de relações. Fatores emocionais podem afetar o cognitivo de um indivíduo, por diferentes razões. É preciso conhecer o aluno como um todo, como alguém que possui uma história, saber o que a escola e o aprender representa na vida dessa criança. É preciso estar atento para perceber se o aluno não tem problemas de visão, audição, linguagem, pois também fazem parte dessa corporeidade que constitui o indivíduo e são fatores que interferem na percepção e nas relações com as pessoas.







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