Estabeleci com meus alunos de 2º ano, um dia da semana, para
acontecer a “Hora do Brinquedo”, sexta-feira. Nesse dia, os alunos trazem
brinquedos de casa para serem compartilhados com os colegas. Esse momento é
muito rico, por vários motivos, um deles é a possibilidade de eu observar aspectos importantes nas relações sociais estabelecidas dentro da turma, como resolvem
os conflitos, que brinquedos escolhem, como simbolizam a vida real. Observei
que existem grupos por afinidade e que alguns alunos são mais resistentes em
abrir a brincadeira para outros colegas. Nesse momento, minha intervenção ou
não intervenção faz a diferença, para que haja a inclusão de todos e para que
os alunos consigam resolver seus conflitos de forma autônoma, respeitando as
diferenças e o espaço de cada um.
O ato de compartilhar brinquedos também
não é uma tarefa fácil para todos, por isso, que antes de iniciarmos esse
momento, fizemos um contrato didático acordando algumas coisas: “os brinquedos
que traremos serão para compartilhar com os colegas, tenho que esperar o colega
brincar para depois eu poder brincar com determinado brinquedo, não posso me “adonar”
de um brinquedo e não querer compartilhar com os outros, tentar negociar com os
colegas, antes de ir reclamar com a professora, ninguém pode brincar sozinho.”
Está dando certo, claro que existem alguns conflitos, mas eles estão
sendo resolvidos sem maiores problemas. Acredito que a minha condução desse
momento contribui para que a interação e a inclusão de todos aconteça e
para que não vire um festival de fofocas. Onde eles possam resolver seus
conflitos com a mínima interferência de um adulto.
Nesse dia, os alunos são liberados às 15
horas, pois acontece a reunião Pedagógica, portanto o índice de faltas é sempre
elevado, pois como eles dependem dos pais para vir pra escola, muitos acham que
por que é pouquinha aula, não precisam vir. Todos os dias são importantes, o
grupo só funciona bem, quando todos estão em aula, toda falta representa uma
lacuna física e na aprendizagem do aluno, do grupo, da turma. Além disso, nesse
dia, sempre dou uma lição de casa para o final de semana, e sendo assim, muitos
deixam de levar por não estarem presentes. Com o Dia do Brinquedo na
sexta-feira, as faltas diminuíram, pois quando os alunos de fato querem vir pra
aula, eles incomodam em casa para não faltar e Dia do Brinquedo não dá pra faltar. Assim deveriam ser
todas as aulas, super interessantes, que fizessem os alunos não querer faltar.
No meu planejamento, penso sempre em uma aula que os alunos possam aprender com
prazer, brincando, jogando, se divertindo, conversando, se movimentando. Tenho
relato de mães, que contam que os alunos não querem faltar de jeito nenhum, querem
vir todos os dias da semana, o que me deixa bem satisfeita, pois mesmo os pais
tentando convencê-los de faltar eles não abrem mão de estar na aula. Saliento
muito nas reuniões de pais, a importância da presença em aula todos os dias,
mas alguns não dão a devida importância para isso. Claro que, às vezes, é inevitável,
devido à doenças, problemas familiares, mas que seja em último caso, não
podemos banalizar as faltas. Sempre que um aluno falta, no dia seguinte,
pergunto o motivo, se possível, falo com a mãe na fila, para que elas entendam
que toda a falta é prejudicial ao processo. Por isso procuro conquistar os
alunos com aulas boas, interessantes, que promovam aprendizagens, onde os
alunos possam agir, conversar, fazer perguntas, jogar, brincar aprendendo,
enfim, o aluno tem que querer vir pra escola, vir pra escola e estar na aula
não pode ser algo chato em que os alunos ficam sentados a tarde inteira
copiando e reproduzindo respostas.
Nesse dia, precisei levar meu filho junto
comigo, devido a impossibilidade de buscá-lo às 15 horas, horário que todas as
escolas municipais de Esteio liberam seus alunos, porque realizam a reunião
pedagógica, com a presença do meu filho, percebi que muitos alunos observavam
atentos quando eu falava com ele, curiosos para saber que tipo de relação eu
estabeleço na qualidade de mãe. Lembro que eu também me interessava por saber
como era a relação das minhas professoras com seus filhos. Eles nos veem em
outra categoria diferente da categoria: professora. Parece-me que isso fortalece
meu vínculo com eles.
Sempre procuro levar histórias da
literatura infantil que trabalhem, entre outras coisas, as questões de gênero.
Percebo que mesmo assim há uma divisão em brincadeira de menina e brincadeira
de menino, mas muitos meninos já compartilharam brincadeiras com as meninas e
vice-versa. Eu digo pra eles que meu filho brinca de boneca, que já teve
Barbie, que brinca de carrinho, que joga bola e nem por isso deixou de ser
menino. Percebo o espanto em alguns, pois a sociedade, a família, a mídia,
ainda apresenta preconceitos em relação a esse aspecto. Mas já percebo um
movimento diferente nas brincadeiras o que é muito positivo. A história do
fusquinha cor-de-rosa, que contei no ano passado (eram os mesmos alunos) tirou
um carro cor-de-rosa da estante e muitos alunos e alunas brincavam com ele,
pois a história trabalhava exatamente isso, o carrinho era abandonado, pois as
crianças da história entendiam que carrinho era brinquedo de menino e
cor-de-rosa era cor de menina e o carrinho ficava muito triste por isso.
É muito importante que trabalhemos questões de gênero com nossos alunos,
para quebrar preconceitos que muitos trazem de casa, por influência da família.
E o quanto nós mesmos temos que trabalhar isso em nós. Pois confesso, que
fiquei insegura de deixar o meu filho brincar de boneca, só depois de uma
formação com a filosofa Tatiana Meireles sobre questões de gênero que tive
segurança em afirmar que não é pelo fato dele brincar de boneca que isso vai
influenciar sua opção sexual, mas tive que trabalhar isso também com meu marido
que dizia: “Espero que saibas o que está fazendo” quando a pedido do meu filho, comprei uma Barbie e
um bebezão de brinquedo. Hoje ele nem brinca mais, até já deu as bonecas,
mas no momento que em que brincava, trocava as fraldas, dava mamadeira, levava
ao médico, o que indica que no futuro, será um ótimo pai, presente e
participativo. E é por isso que temos que trabalhar essas questões em sala,
para que possamos contribuir com uma sociedade mais justa, menos machista onde
os direitos das mulheres e dos homens sejam respeitados. Não nos preocupemos com que tipo de brinquedo as crianças brincam, porque não é isso que determina a opção sexual de uma pessoa.
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Oi, Jaqueline como comentei anteriormente, é muito importante ensinar aos alunos a cooperação com os colegas, a ser solidário, por isto a importância do trabalho em grupo, e que ele seja bem explicado, organizado e acompanhado.
ResponderExcluirabraços
Interessante as suas postagens, demonstram o quanto a sua prática já vem se conectando a muitas questões levantadas no decorrer do curso.
ResponderExcluirAcredita em ti e voa!
Tutora Isolete