segunda-feira, 21 de maio de 2018

O espaço do Brincar na escola


Assisti a uma palestra na UFRGS com Tânia Ramos Fortuna (foto) com o tema "Sala de Aula é lugar de brincar? Por uma Pedagogia do Brincar" um espetáculo de palestra. Sabe aquele peso na consciência de deixar as crianças brincarem um pouco mais? Perdi. Tania Fortuna traz os benefícios que o brincar na escola traz para as crianças, com uma consistente fundamentação teórica.
Escreverei aqui algumas ideias da palestra que merecem destaque:
* A brincadeira nos convoca à verdade.
* A escola  traz a cultura pautada na a utilidade "Brincar não é útil"
* A brincadeira indica as relações sociais do grupo e os papeis que cada um desempenha;
* Possibilita o ato de simbolizar e discriminar o significante do significado;
* Brincadeira pede flexibilidade, quando percebemos declíneo de interesse, devemos parar. As brincadeiras não podem ser longas para manter a atenção;
* Não é pedindo atenção que ganhamos a atenção dos alunos;
* Jogo é o momento da verdade;
* A brincadeira é tão generosa que mesmo quando dá errado, dá certo.
* Devemos respeitar o tempo e o espaço da criança e valorizar sua autonomia;
* Educador faz brincadeira de segunda potência., brinca de brincar.
* A brincadeira nos constitui, A gente aprende a ser quem é.
* A brincadeira é uma experiência substituta, matar é simbólico quando brincam de matar. Possibilita ao indivíduo vivenciar sua vontade de matar, brincando de matar. Ajuda a elaborar conflitos internos.
* Jogo didatizado é o grande vilão da Pedagogia do Brincar.
* Às vezes, a persistência do professor é baixa em propor momentos de brincar.

Identifiquei-me muito com a palestra. Sempre abri espaço em minhas turmas para os alunos brincar em livremente.
Realmente conseguimos observar as relações sociais dos alunos. Quem brinca com quem, quem brinca sozinho, quem é o excluído, que é o líder, etc.
Uma das minhas grandes dúvidas era em relação às armas de brinquedo, não sabia se devia ou não deixar que brincassem de arminha, mas depois da palestra, estou bem segura que isso não vai interferir negativamente na personalidade ou caráter dos meus alunos, ao contrário, ´possibilita eles vivenciarem seus dramas e conflitos. Algumas vezes, pensei que momentos de brincadeira tinham que ser limitados pois atividades didáticas seriam mais importantes para a aprendizagem dos alunos. Ouvindo a Tânia Fortuna falar me tira um peso das costas, como ela mesmo diz. Pois brincando as crianças aprendem muito, muito mais que em muitas atividades didáticas. Elas estabelecem relações, vivenciam diferentes papéis, vivem conflitos entre os colegas que exigem que cedam, que aceitam as ideias dos colegas e que também defendam a sua. Fazem divisões, quantificações, estimativas, representam personagens, desenvolvem a linguagem, entre tantas outras coisas.

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