Ao reler Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia, mudei significativamente a minha prática. Ler esse livro nunca fez tanto sentido como agora. Talvez por eu já ter amadurecido muitas ideias ao longo desses 20 anos de trajetória docente, mas o que sei é que ele mexeu comigo:
"Não podemos ser agentes de transformação sem nos assumir como sujeitos éticos."
"Que o educando mantenha viva a sua curiosidade a sua rebeldia e estimulando sua capacidade de arriscar-se, de aventurar-se o "imuniza" contra o poder apassivador do bancarismo."(p.28)
"Pensar certo coloca o educador e a escola no dever de não só respeitar os saberes com que os educandos trazem, mas fazer a relação com os conteúdos ensinados."
"Não haveria criatividade sem curiosidade."(P.35)
"Ensinar conteúdos deve estar junto com a formação moral do educando."(p.37)
"Pensar certo é nunca dizer: Sabes com que estás falando?"(p.38)
"Raiva desmedida não combina com pensar certo."
"Mal se imagina o que pode representar na vida de um aluno um simples gesto do professor."(p.47)
"O que importa na formação docente não é a repetição mecânica do gesto, este ou aquele, mas a compreensaõ do valor dos sentimentos das emoções, do desejo, da insegurança a ser superada pela segurança, do medo que ao ser "educado" vai gerando coragem."(P.50-51)
"Qualquer discriminação é imoral." (p.66)
"Saber que devo respeito à autonomia do alunos exige de mim uma prática coerente com esse saber."(p.67)
"A incompetência profissional desqualifica a autoridade do professor."(p.68)
"A maneira como os alunos me percebem tem importância capital no meu desempenho."(P.108)
Essas ideias e muitas outras, fizeram com que eu refletisse muito sobre minha prática e o meu comportamento diante de alguns alunos. Fizeram com eu me transformasse numa professora melhor. Pois, muitas vezes, perdemos a paciência com alguns alunos e falamos coisas que não deveríamos, desqualificando-o diante da turma. Enquanto educadores, jamais podemos perder o controle da situação, rebaixar os alunos como se fossem inferiores a nós. Estamos a serviço deles e somos profissionais educadores que precisamos mostrá-lo o quanto somos capazes de promover transformações e não reforçar aquilo de mais perverso que a sociedade faz com os grupos excluídos (pobres, negros, índios).
sexta-feira, 26 de junho de 2015
domingo, 7 de junho de 2015
Corporeidade no âmbito da aprendizagem
Corporeidade no
âmbito da aprendizagem
Todos os seres humanos são
constituídos de um corpo físico, que se movimenta, que percebe o mundo a sua
volta através dos sentidos, que se relaciona com seu semelhante usando a linguagem,
capaz de aprender e transformar a realidade, inserido num meio cultural com
crenças e valores diversos, que possui sentimentos e emoção. Quando falamos
corporeidade, consideramos a interligação de todos esses elementos juntos.
A corporeidade de cada indivíduo
é única. Cada um percebe o mundo de um jeito. A corporeidade é o jeito de ser
de cada um.
A pele talvez seja o órgão mais
importante dos seres humanos. Não sobrevivemos se não tivermos pele. “Durante o
desenvolvimento inicial do embrião a sua camada externa, a ectoderme, volta-se
para dentro formando o início do tubo neural por onde formar-se-á a medula e o
bulbo cerebelar. Pode-se dizer que o sistema nervoso é uma parte escondida da
pele embrionária ou que a pele é a versão exposta do sistema nervoso.”
Não foi à toa que no filme Inteligência Artificial o “Protocolo de
Inicialização” do androide que a partir daquele momento passou a possuir uma
corporeidade, era feito com um toque na nuca, palavras ditas olhando nos olhos.
Na escola, precisamos perceber
nossos alunos como diferentes corporeidades, onde cada um tem um corpo, que
interage com o meio de diferentes maneiras, pois apresenta uma sensibilidade,
uma emoção diante das diferentes situações, onde cada um tem uma história de
vida com diferentes valores simbólicos. Não podemos desconsiderar que nós
também apresentamos uma corporeidade com todos esses elementos, que se
relaciona com a corporeidade de cada aluno e que dependendo da qualidade dessa
relação, pode ou não, ser facilitadora de aprendizagens.
O mesmo enunciado é percebido e
entendido de diferentes maneiras pelos alunos. Tivemos a oportunidade de
vivenciar isso na aula presencial de Corporeidade com o professor Clézio. Ele
fez um enunciado dando uma ordem e todas as alunas entenderam e agiram de forma
diferente. Não podemos esperar que todos os alunos nos apresentem resultados
iguais, que entendam do mesmo jeito. Precisamos considerar que somos todos
diferentes e que ser diferente não é defeito. É comum nos incomodarmos com os
alunos que são muito lentos, ou muito rápidos, com os alunos que são agitados e
não param, com os alunos que demoram pra entender o que dizemos ou entendem de
forma diferente do que gostaríamos. Precisamos acolher os alunos com toda a sua
“bagagem”, aceita-los verdadeiramente, sem tentar “endireita-lo” como se
tivesse um padrão a seguir, mas conseguir ensiná-lo com tudo que ele traz, com
a sua corporeidade.
Nós
professores, precisamos estar cientes de que as não aprendizagens podem
estar ligadas à fatores diferentes dos
cognitivos. O ser humano apresenta uma corporeidade que trabalha interligada
numa complexa trama de relações. Fatores emocionais podem afetar o cognitivo de
um indivíduo, por diferentes razões. É preciso conhecer o aluno como um todo,
como alguém que possui uma história, saber o que a escola e o aprender
representa na vida dessa criança. É preciso estar atento para perceber se o
aluno não tem problemas de visão, audição, linguagem, pois também fazem parte
dessa corporeidade que constitui o indivíduo e são fatores que interferem na
percepção e nas relações com as pessoas.
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