Cada vez mais eu concluo que o planejamento antecipado do professor é que garante uma boa aula. O grande problema é que estamos sempre correndo contra o relógio, sempre planejando para hoje, Se conseguíssemos planejar com mais antecedência poderíamos prever algumas necessidades materiais que qualificariam nossas aulas.
Percebo que na correria sempre deixo coisas importantes de fora da aula, ou lembro depois. Um planejamento bem feito antecipadamente nos permite nos preparar para a aula sem atropelos e esquecimentos. Temos tempo de pensar melhor na ação mais adequada, pesquisar com mais tempo e prevenir possíveis erros.
Muitas de minhas aulas são planejadas da manhã para tarde, e com isso, deixo de realizar muitas coisas por falta de tempo para xérox, para pedir material, para elaborar um jogo, ou uma ficha didática.
Preciso organizar melhor o tempo para conseguir planejar melhor e mais antecipadamente minhas aulas.
terça-feira, 28 de abril de 2015
quinta-feira, 23 de abril de 2015
INDISCIPLINA = NÃO APRENDIZAGEM
Percebo que os alunos mais indisciplinados são justamente os alunos que menos aprenderam na turma. Diante da não aprendizagem e da necessidade de protagonismo dentro da sala de aula, eles começam a chamar a atenção fazendo piadas, bagunça, se negando de fazer as atividades, assobiam, gritam, provocam a minha atenção.
Parece que é como se eles me dissessem "Olha professora estou aqui!" Turma, eu sou bom em alguma coisa, todos riem de mim!"
Ao excluí-los do meu universo ensinante, provoco neles certa revolta por não terem aprendido e reflete em indisciplina.
Preciso o mais rápido possível, incluí-los e priorizar meu planejamento para dar conta dessas não aprendizagens, pois se eu não fizer isso, não conseguirei mais dar aula. Pois eles estão passando dos limites e sei que a responsável por esse comportamento sou eu, ou a minha ação, ou não-ação.
Ao desabafar com a Equipe Diretiva, a primeira solução sempre é chamar os pais, mas sei que isso não vai resolver o problema, talvez até piore. Os pais não vão ensinar o aluno, sou eu a profissional responsável por isso, os pais não vão sentar na minha aula para controlar seus filhos. É através das minhas provocações é que eu conseguirei fazê-los aprender e sentirem-se incluídos na turma. São necessárias ações específicas, temas de casa diferenciados, trabalhos por níveis semanal.
domingo, 12 de abril de 2015
JOGO DOS PALITOS
Realizei com a minha turma de 2º ano um jogo matemático chamado Jogo dos Palitos. O jogo
consiste em cada aluno na sua vez lançar o dado (de 1 a 6) e conquistar palitos. A cada dez palitos
conquistados, amarra-se com um atilho. A partida encerra depois de um determinado
tempo sinalizado pelo professor. Vence quem conquistar mais palitos.
O objetivo é que os alunos compreendam a base 10 do sistema de
numeração, o valor posicional dos algarismos, que consigam contar com autonomia, reconhecer os numerais, que realizem pequenas adições e façam a representação simbólica dos numerais e das operações.
Com essa atividade consegui verificar que todos os alunos contam até 29, porém, alguns ainda não relacionam a quantidade ao numeral, por isso, ofereci um
glossário de numerais de 0 a 40, com as dezenas de 50 ate 100, 1000 e 10.000 e
1.000.000. Eles acharam interessantíssimo saber como se escreve um milhão.
Fizemos a contagem de 10 em 10 até 100 e de 100 em 100 até 1.000.
Para que os alunos entendam
a base 10, eles precisam interagir, eles precisam agrupar. Com esse jogo a
regra é nunca 10 soltos, os resultados foram bem positivos.
A interação dos alunos nos grupos foi fundamental para que a
aprendizagem fluísse com mais eficiência. Estar entre os pares, os alunos se
permitem contestar, fazer perguntas, duvidar do colega, colocar seu ponto de
vista, discordar, dar sua hipótese, construir conhecimento. Diferente de como é
com o professor que detém o saber e com ele não há o que discutir. Quando o
professor explica muito, sem deixar os alunos descobrirem as respostas, ou
melhor, fazerem novas perguntas, a aula não passa de mera transmissão e reprodução, sem a alegria e o prazer de construir conhecimento. O aluno precisa interagir com o objeto de conhecimento para de fato aprender.
O jogo é uma forma prazerosa de se aprender. Ele mexe com nosso desejo, desejo de vencer. Por consequência, trabalha o saber perder também. As pequenas frustrações são importantes na infância, para que os alunos aprendam que na vida nem sempre somos vitoriosos e que temos que manter o equilíbrio e o controle apesar de ter obtido o resultado esperado.
Jogar o dado e pegar a quantidade de palitos correspondente e desenhar no caderno, trabalha a relação biunívoca e a representação simbólica de quantidades.
Saber quem venceu, trabalha a comparação de quantidades. Quem ganhou mais, menos, empatado.
Pedi que os alunos pegassem 20 palitos, como na mesa faltaram palitos, os alunos vinham pedir mais, nesse momento eu perguntava: Quantos faltam para vinte? Essa é uma pergunta bem complexa, pois exige uma boa dose de abstração do aluno que precisa descobrir quanto falta para vinte. Muitos alunos contavam os palitos e ao terminar continuavam com os dedos, depois contavam os dedos. Outros conseguiam fazer tudo mentalmente. Percebi fumacinhas nas cabecinhas das crianças, pensando, pensando. Lindo de ver!!
É importante que não fique o jogo pelo jogo, pois corremos o risco de não alcançarmos nossos objetivos didáticos com ele, por isso, sempre devemos propor fichas didáticas referentes aos jogo. Durante o jogo, os alunos registraram no caderno, depois do jogo, receberam uma ficha didática para sistematizar as vivências do jogo.
A posição do zero, ou à direita ou à esquerda, serviu para os alunos refletirem sobre como funciona o sistema de numeração decimal.
Dentro do GEEMPA (Grupo de Estudo sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação), fiz um curso de Matemática onde trabalhamos as mais diversas bases. Porém, nunca consegui aplicar nas minhas aulas, por ter certa insegurança com bases diferentes de 10. Por ter receios de confundir as crianças, mesmo sabendo que devemod trabalhar diversas bases para que eles realmente compreendam a base 10.
“Dos conhecimentos mais modernos em psicologia da aprendizagem sabe-se que a criança constrói os conceitos a partir do geral para o particular, por indução. Assim, se queremos que ele distingua a cor vermelha é necessário que ele tome contato com as outras cores.”
Esther Pillar Grossi
quarta-feira, 8 de abril de 2015
O dia do brinquedo na sala de aula
Estabeleci com meus alunos de 2º ano, um dia da semana, para
acontecer a “Hora do Brinquedo”, sexta-feira. Nesse dia, os alunos trazem
brinquedos de casa para serem compartilhados com os colegas. Esse momento é
muito rico, por vários motivos, um deles é a possibilidade de eu observar aspectos importantes nas relações sociais estabelecidas dentro da turma, como resolvem
os conflitos, que brinquedos escolhem, como simbolizam a vida real. Observei
que existem grupos por afinidade e que alguns alunos são mais resistentes em
abrir a brincadeira para outros colegas. Nesse momento, minha intervenção ou
não intervenção faz a diferença, para que haja a inclusão de todos e para que
os alunos consigam resolver seus conflitos de forma autônoma, respeitando as
diferenças e o espaço de cada um.
O ato de compartilhar brinquedos também
não é uma tarefa fácil para todos, por isso, que antes de iniciarmos esse
momento, fizemos um contrato didático acordando algumas coisas: “os brinquedos
que traremos serão para compartilhar com os colegas, tenho que esperar o colega
brincar para depois eu poder brincar com determinado brinquedo, não posso me “adonar”
de um brinquedo e não querer compartilhar com os outros, tentar negociar com os
colegas, antes de ir reclamar com a professora, ninguém pode brincar sozinho.”
Está dando certo, claro que existem alguns conflitos, mas eles estão
sendo resolvidos sem maiores problemas. Acredito que a minha condução desse
momento contribui para que a interação e a inclusão de todos aconteça e
para que não vire um festival de fofocas. Onde eles possam resolver seus
conflitos com a mínima interferência de um adulto.
Nesse dia, os alunos são liberados às 15
horas, pois acontece a reunião Pedagógica, portanto o índice de faltas é sempre
elevado, pois como eles dependem dos pais para vir pra escola, muitos acham que
por que é pouquinha aula, não precisam vir. Todos os dias são importantes, o
grupo só funciona bem, quando todos estão em aula, toda falta representa uma
lacuna física e na aprendizagem do aluno, do grupo, da turma. Além disso, nesse
dia, sempre dou uma lição de casa para o final de semana, e sendo assim, muitos
deixam de levar por não estarem presentes. Com o Dia do Brinquedo na
sexta-feira, as faltas diminuíram, pois quando os alunos de fato querem vir pra
aula, eles incomodam em casa para não faltar e Dia do Brinquedo não dá pra faltar. Assim deveriam ser
todas as aulas, super interessantes, que fizessem os alunos não querer faltar.
No meu planejamento, penso sempre em uma aula que os alunos possam aprender com
prazer, brincando, jogando, se divertindo, conversando, se movimentando. Tenho
relato de mães, que contam que os alunos não querem faltar de jeito nenhum, querem
vir todos os dias da semana, o que me deixa bem satisfeita, pois mesmo os pais
tentando convencê-los de faltar eles não abrem mão de estar na aula. Saliento
muito nas reuniões de pais, a importância da presença em aula todos os dias,
mas alguns não dão a devida importância para isso. Claro que, às vezes, é inevitável,
devido à doenças, problemas familiares, mas que seja em último caso, não
podemos banalizar as faltas. Sempre que um aluno falta, no dia seguinte,
pergunto o motivo, se possível, falo com a mãe na fila, para que elas entendam
que toda a falta é prejudicial ao processo. Por isso procuro conquistar os
alunos com aulas boas, interessantes, que promovam aprendizagens, onde os
alunos possam agir, conversar, fazer perguntas, jogar, brincar aprendendo,
enfim, o aluno tem que querer vir pra escola, vir pra escola e estar na aula
não pode ser algo chato em que os alunos ficam sentados a tarde inteira
copiando e reproduzindo respostas.
Nesse dia, precisei levar meu filho junto
comigo, devido a impossibilidade de buscá-lo às 15 horas, horário que todas as
escolas municipais de Esteio liberam seus alunos, porque realizam a reunião
pedagógica, com a presença do meu filho, percebi que muitos alunos observavam
atentos quando eu falava com ele, curiosos para saber que tipo de relação eu
estabeleço na qualidade de mãe. Lembro que eu também me interessava por saber
como era a relação das minhas professoras com seus filhos. Eles nos veem em
outra categoria diferente da categoria: professora. Parece-me que isso fortalece
meu vínculo com eles.
Sempre procuro levar histórias da
literatura infantil que trabalhem, entre outras coisas, as questões de gênero.
Percebo que mesmo assim há uma divisão em brincadeira de menina e brincadeira
de menino, mas muitos meninos já compartilharam brincadeiras com as meninas e
vice-versa. Eu digo pra eles que meu filho brinca de boneca, que já teve
Barbie, que brinca de carrinho, que joga bola e nem por isso deixou de ser
menino. Percebo o espanto em alguns, pois a sociedade, a família, a mídia,
ainda apresenta preconceitos em relação a esse aspecto. Mas já percebo um
movimento diferente nas brincadeiras o que é muito positivo. A história do
fusquinha cor-de-rosa, que contei no ano passado (eram os mesmos alunos) tirou
um carro cor-de-rosa da estante e muitos alunos e alunas brincavam com ele,
pois a história trabalhava exatamente isso, o carrinho era abandonado, pois as
crianças da história entendiam que carrinho era brinquedo de menino e
cor-de-rosa era cor de menina e o carrinho ficava muito triste por isso.
É muito importante que trabalhemos questões de gênero com nossos alunos,
para quebrar preconceitos que muitos trazem de casa, por influência da família.
E o quanto nós mesmos temos que trabalhar isso em nós. Pois confesso, que
fiquei insegura de deixar o meu filho brincar de boneca, só depois de uma
formação com a filosofa Tatiana Meireles sobre questões de gênero que tive
segurança em afirmar que não é pelo fato dele brincar de boneca que isso vai
influenciar sua opção sexual, mas tive que trabalhar isso também com meu marido
que dizia: “Espero que saibas o que está fazendo” quando a pedido do meu filho, comprei uma Barbie e
um bebezão de brinquedo. Hoje ele nem brinca mais, até já deu as bonecas,
mas no momento que em que brincava, trocava as fraldas, dava mamadeira, levava
ao médico, o que indica que no futuro, será um ótimo pai, presente e
participativo. E é por isso que temos que trabalhar essas questões em sala,
para que possamos contribuir com uma sociedade mais justa, menos machista onde
os direitos das mulheres e dos homens sejam respeitados. Não nos preocupemos com que tipo de brinquedo as crianças brincam, porque não é isso que determina a opção sexual de uma pessoa.
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